quarta-feira, 27 de março de 2019

HISTÓRIA DO BRASIL - ECONOMIA CAFEEIRA

Ao longo do século XIX, o café ganhou importância nas exportações brasileiras e se tornou o esteio da economia nacional. A partir de 1870, a produção cafeeira adquiriu caráter capitalista e modificou as relações sociais no Brasil


O desenvolvimento do café no Segundo Reinado

A economia brasileira, no século XVIII, atravessava um período de dificuldades provocadas pelo declínio da economia açucareira e da mineração. A produção de café, iniciada em meio a essa crise, representou a recuperação econômica e a inserção do Brasil no mercado mundial, nos moldes capitalistas.

Introduzida no Brasil no início do século XVIII, a cafeicultura ocupou inicialmente as províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. No século XIX, a produção chegou à província de São Paulo, primeiro no vale do Paraíba e, depois, na região denominada Oeste Paulista.

O vale do Paraíba fluminense e paulista viveu um período de opulência, em que os grandes proprietários de terras e escravos, que haviam recebido ou comprado títulos de nobreza do governo imperial, eram denominados “barões do café”. Cercavam-se de luxo, vivendo em imensas fazendas ornamentadas com objetos importados da Europa.

Regiões cafeeiras nos séculos XVIII e XIX

O mercado mundial do café se ampliava, na medida em que o produto deixava de ser um artigo de luxo para se incorporar à cultura e ao consumo cotidiano das populações em diversos lugares do mundo. A participação do café brasileiro no mercado mundial elevou-se de 20% na década de 1820 para mais de 50%, entre 1880 e 1889.

O vale do Paraíba, no entanto, deixou de ser a principal região produtora. Embora o clima fosse favorável e a localização geográfica facilitasse o escoamento da produção – graças aos portos da baía de Guanabara e aos portos do litoral sul (Parati, Angra dos Reis etc.) o cultivo extensivo e predatório causou o esgotamento do solo.

A partir de 1870, o declínio da cafeicultura no vale do Paraíba acentuou-se, e a produção se expandiu para o Oeste Paulista, inicialmente em tomo de Campinas e Ribeirão Preto, e depois, gradativamente, avançando para o Paraná. No Oeste Paulista, o solo de terra roxa era mais fértil que o do vale do Paraíba. A topografia também era mais favorável, permitindo o cultivo em grandes extensões contínuas de terra, em lugar das encostas de montes do vale do Paraíba.


O café e as novas relações de produção

Estruturada a princípio na grande propriedade agroexportadora e na mão-de-obra escrava, a economia cafeeira, a partir da segunda metade do século XIX, oassou a adotar progressivamente o trabalho livre.


O tráfico negreiro foi extinto em 1850, e a expansão da lavoura cafeeira no Oeste Paulista aumentava a necessidade de mão-de-obra. Com o objetivo de atrair imigrantes para o Brasil, o governo lançou campanhas na Europa, distribuindo folhetos que prometiam terra e fartura.



Os imigrantes europeus, como portugueses, alemães, espanhóis, suíços e italianos, começaram a chegar em grandes levas, alterando as relações de trabalho no Brasil. Ao mesmo tempo, a produção se modernizava e o transporte ferroviário substituía o transporte do produto em tropas de burros, permitindo o escoamento da produção do Oeste Paulista pelo porto de Santos.

O comércio exterior se dinamizou, com a exportação crescente de café e a importação de produtos franceses e ingleses para atender aos novos núcleos urbanos, estimulando o desenvolvimento do sistema bancário.


O café e o capital inglês

A expansão da cafeicultura brasileira deu-se no contexto da Segunda Revolução Industrial, desencadeada sobretudo na Inglaterra. Interessados em expandir seus mercados, os investidores ingleses aplicaram vultosos recursos no Brasil.

A influência da Inglaterra na economia brasileira vinha desde os tempos coloniais, e se ampliou quando a família real transferiu-se para o Brasil em 1808. Sob ameaça de invasão de Portugal pela França, os portugueses decidiram refugiar- -se no Brasil, contando com o apoio dos ingleses. Em retribuição, o rei dom João declarou o fim do monopólio português sobre o comércio colonial, permitindo o comércio direto dos ingleses com o Brasil.

No século XIX, o capital inglês tomou-se ainda mais presente na economia brasileira, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, com investimentos na construção de ferrovias, portos e no transporte urbano. A feição dos centros urbanos se modificou, contando com mais estabelecimentos comerciais, bancos, iluminação, telégrafos, um novo traçado das ruas e, já no final do século XIX, a presença de bondes elétricos, em substituição aos de tração animal.

A modernização, contudo, produziu contrastes sociais: as mansões dos barões do café e as melhorias urbanas conviviam com a proliferação dos cortiços.

Um dos grandes empresários brasileiros que se destacaram no processo de modernização do Brasil foi Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá, depois visconde de Mauá.


Fonte:
http://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/economia-cafeeira
Fonte da Figura:
http://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/economia-cafeeira



COTIDIANO: ANTIGAS PADARIAS - PADARIA E CONFEITARIA ALEMÃ (ITU/SP)

Inaugura aqui a série "Cotidiano - Antigas Padarias". Trata-se de uma singela homenagem a estas pessoas empreendedoras e seus belos estabelecimentos que marcaram um tempo.

Começo pela "Padaria e Confeitaria Alemã" da cidade de Itu, São Paulo.  Fiquei maravilhado com a beleza das fotografias da época, a arquitetura, o "design" interior que emociona. De tirar o fôlego...

Ao passear pelas fotos, preste atenção nos pequenos detalhes, nas pessoas, nos móveis, no equipamentos e utensílios. Arte do cotidiano do chão ao teto... Memória na parede da lembrança...

Max Steiner fundador com a esposa Rosalina e os filhos no interior da padaria, restaurante na década de 1920

Em 1902, na cidade de Itu, o imigrante alemão Adolf Steiner, no Brasil desde 1889, abre juntamente com seu filho Max, a Padaria e Confeitaria Alemã.

É nesta padaria que Max, depois do expediente de trabalho, reúne seus amigos para apreciar as bebidas de sua terra natal: a Cerveja e o Steinhäger. Para acompanhar as bebidas, Max preparava sua especialidade, o Bife do Steiner: um delicioso corte de carne frito na manteiga e acebolado, com molho de tomate.

Na década de 30 eram tantos os apreciadores do Bife do Steiner, que Max, sempre atento à demanda, agrega à Padaria um Bar e Restaurante. É nesta época que a Antártica lança seu chope e o estabelecimento de Max se torna o único do interior do estado a ter o Chope Antártica e passa a ser mais um diferencial, pois o chope era um produto raro.

Quando Max completa 70 anos, passa ao seu filho Paulo, o Paulito, a gerência do Bar. Nesta época nos anos 50, além do Bife do Steiner, o Bar do Alemão, como passou a ser chamado pelo público, oferecia outra delícia aos seus clientes: o "Orelha de Elefante", um tenro bife de filet mignon à milanesa.

É nesta década de 50 que um cliente, ao provar um "Orelha de Elefante", disse que o bife era um pouco seco para seu paladar.

Os filhos de Paulito, Marcos Netto e Paulo Jr. resolvem esse problema de uma maneira primorosa, acrescentando molho de tomate à receita. Mas os irmãos achavam que ainda faltava algo para transformar o prato em um verdadeiro clássico gastronômico e descobrem o que faltava em uma ida à cidade de São Paulo: o queijo das tradicionais parmegianas italianas.

Esta receita, saborosíssima, aliada ao generoso corte de carnes selecionadas com atenção, fez da Parmegiana do Bar do Alemão a mais conhecida e apreciada Parmegiana do Brasil.


Nos anos 60, deixa de funcionar a padaria, passando o Bar e Restaurante a ser o centro das atenções da terceira geração da família, o qual Marcos Netto e Paulo Jr. modernizam o Bar do Alemão, com uma reforma que tornou o ambiente ainda mais acolhedor.

Rosalina Steiner, esposa do fundador no balcão da padaria

Rosalina Steiner com a filha no balcão da padaria

Vista da casa de máquina da padaria

Fachada do restaurante, padaria na década de 1930
  
Casa da família Steiner Endwawer, município de Teltow, província de brandemburgo

Paulo Steiner Júnior com o amigo Roberto no balcão do restaurante

Fregueses em frente ao balcão do restaurante

Max Steiner com os netos


Marcos Steiner Netto e Paulo Steiner  Júnior no caixa do restaurante



Fonte:
http://m.bardoalemaosp.com.br/#!/historia
Fonte das Figuras:
http://m.bardoalemaosp.com.br/#!/fotos

CINCO EXEMPLOS DO RECONHECIMENTO INTERNACIONAL DO CAFÉ BRASILEIRO

O nome “Brazil” é cada vez mais comum nas embalagens e nas cartas de cafés ao redor do mundo
Durante muito tempo o café brasileiro foi considerado de baixa qualidade. Graças ao trabalho dos cafeicultores, organizações, pesquisadores e outros profissionais da cadeia produtiva, isso está mudando.

Para saber mais sobre as causas da má reputação do café nacional e como ela foi superada, leia o artigo Do Café Rio aos Microlotes Especiais.

A mudança fica evidente quando se observa o reconhecimentointernacional dos grãos brasileiros. Nosso país é o principal fornecedor de grandes empresas que adotam padrões elevados de qualidade.

Brasil: país do café

Ele também desponta como fornecedor de grãos para edições especiais das grandes e microlotes, vendidos por cafeterias de terceira onda. Para entender o que é a terceira onda do café, leia este relatório.

Você verá a seguir cinco exemplos do reconhecimento do café brasileiro no exterior.

1. Nespresso

Atualmente, o Brasil é o maior fornecedor da Nespresso. A companhia suíça é líder mundial em venda de café em cápsulas. Suas máquinas são comercializadas como equipamentos sofisticados para quem gosta de apreciar um bom café.

A empresa afirma que apenas 1% ou 2% de todo o café colhido no mundo atende aos seus parâmetros de qualidade.

O café brasileiro é utilizado em blends da Nespresso e na cápsula de origem única "Dulsão do Brasil"
Imagem: Nespresso

2. illycaffè

A tradicional torrefadora italiana também possui o Brasil como principal fornecedor. O café nacional é fundamental na composição do blend comercializado pela empresa. Nos anos 1990, a illycaffè foi a primeira torrefadora internacional a valorizar o grão brasileiro por sua qualidade.

Imagem: illycaffè




3. Lavazza

Recentemente, a Lavazza lançou uma nova linha de cafés, a iTierra!, que usa grãos certificados. Para o setor de hotéis e restaurantes, a torrefadora desenvolveu um blend 100% brasileiro, com selo Rainforest.

Imagem: Lavazza




4. Edições especiais

O café brasileiro tem sido utilizado em várias edições especiais das grandes torrefadoras. Elas são comercializadas no mundo todo e levam muitos consumidores a terem contato, pela primeira vez, com um café 100% brasileiro.

Imagem: Nespresso

A Nespresso lançou o “Cafezinho do Brasil”, um blend com grãos de Minas Gerais e Espírito Santo. Para as máquinas Nescafé Dolce Gusto, foi lançado o “Catuaí do Cerrado” que, como o nome já diz, foi desenvolvido com grãos da variedade Catuaí cultivados no Cerrado Mineiro.

Imagem: Nestlé

Por sua vez, a Starbucks lançou o “Brazil Nova Resende”, elaborado com grãos de 74 pequenos cafeicultores do município de Nova Resende, MG. A edição faz parte da linha Starbucks Reserve, que a companhia norte-americana utiliza para vender produtos de alta qualidade.


Imagem: Starbucks


5. Cafeterias de Terceira Onda

Estamos em um momento muito promissor para a qualidade do café. O consumidor entende cada vez mais sobre ela, e várias cafeterias se especializaram em garimpar cafés de altíssima qualidade, produzidos em pequenas quantidades. É a chamada “terceira onda do café”.

Microlotes produzidos em fazendas brasileiras já são encontrados em muitas cafeterias de terceira onda, espalhadas pelo mundo. Eles são comercializados com informações como o nome do produtor, a altitude da lavoura, variedade, tipo de secagem e outras.

Microlote Água Preta, produzido na Fazenda Santa Inês, MG, à venda na Intelligentsia, dos EUA

São lojas com elevado padrão de qualidade que vendem o café para consumidores sofisticados e exigentes. Nelas, os grãos brasileiros dividem espaço com outros, de origens reconhecidas há muito mais tempo.

Microlote do Sítio Canaã, pequena propriedade no município de Caconde, SP, à venda na Sample Coffee Roasters, da Austrália


Conclusão

O café brasileiro já conquistou grandes torrefadoras. O país tem capacidade para abastecer o mercado com quantidade, qualidade e consistência, o que é muito atrativo para empresas que compram grandes volumes.

Apesar de ainda não serem muito comuns, os microlotes brasileiros também estão ganhando seu espaço no mercado internacional.

Mesmo com toda essa evolução, a imagem do nosso café ainda é negativa para muitos. Mas ao invés de lamentar, várias organizações e empresários enxergaram uma oportunidade. Que outros se juntem a eles.


Fonte:
https://coffeeinsight.com.br/cinco-exemplos-do-reconhecimento-internacional-do-caf%C3%A9-brasileiro-39cf4393aadc

PÃES DE FERMENTAÇÃO NATURAL VÊM CONQUISTANDO ADMIRADORES


 “Quando pensei em fazer pão, imaginei que fosse como construir foguetes”, admitiu o pesquisador norte-americano Michael Pollan num dos episódios da série de tevê Cooked (Netflix). A frase revela a complexidade em torno de uma receita simples, mas essencial para a humanidade.

À base apenas de farinha, água, sal e fermento natural, os pães chamados de sourdough (de fermentação lenta, que traz acidez ao pão) têm ganhado adeptos no mundo inteiro, seja impulsionados pela busca por uma alimentação mais saudável ou os adeptos da cultura “faça você mesmo”. Mas é um hobby que exige medidas precisas, atenção e paciência. “Primeiro, você está ‘brincando’ de criar vida com a fermentação natural. Segundo, você está exercitando a forma mais milenar de se produzir comida. É um hobby apaixonante”, define o ex-crítico de restaurantes d’O Estado de São Paulo, Luiz Américo Camargo. Depois de desenvolver técnicas de forma empírica, na base da tentativa e erro, Camargo decidiu publicá-las no livro Pão Nosso: receitas caseiras com fermento natural, publicado pelo Selo Panelinha, em 2013.

Os padeiros caseiros Hanny Guimarães, Ana Carolina Ribeiro, Flavio Pucci e Ádrili Sato se encontram na Casa Samambaia, em São Paulo

O sucesso foi tanto que a edição está esgotada e sua página no Facebook, com quase 20 mil seguidores, é recheada de dúvidas de padeiros caseiros, que Camargo faz questão de responder a todas. Por isso, o jornalista pretende lançar outro livro ainda este ano, com receitas bem fáceis “para aproximar ainda mais as pessoas da panificação”, além de ministrar cursos voltados para os padeiros amadores em escolas como a Levain, de São Paulo.

“Muitos alunos nos procuram para fazer cursos mais simples, com técnicas, para quem sabe um dia empreender no ramo”, explica Rogério Shimura, diretor da escola especializada em cursos de panificação aberta há três anos, por onde já passaram cerca de 3.200 alunos.
A seguir, conheça quatro histórias de pessoas que foram contagiadas pela paixão em produzir pães, seja para comercializar em pequenas quantidades ou para a própria família. E confira algumas dicas para começar a produzir os pães em casa.


Virada profissional

Bisnaguinha integral orgânica, por Ádrili Sato

Depois de seis anos trabalhando em bancos na Europa, a ex-gerente financeira Ádrili Sato decidiu mudar seu rumo e virou voluntária no Camboja, ajudando crianças vítimas de violência. “Eu tinha me tornado uma pessoa amarga e estressada. Tirei um ano sabático porque precisava de uma nova perspectiva de vida”, diz. Essa experiência foi essencial para Ádrili abraçar a paixão pela panificação. “Aprendi que precisava encontrar uma forma de dar amor para as pessoas. Quer forma melhor do que fazer pão?”

Pão de nozes com papoula, por Ádrili Sato

De volta ao Brasil em 2014, aproveitou o conhecimento em pães europeus para fazer um curso de panificação no Senai e estágio em uma padaria. “Nesse tempo, estraguei duas batedeiras domésticas e queimei várias fornadas de pão”, lembra. Depois de muita prática, Ádrili se mostra pronta para abrir com o pai, Roberto Sato, a Padoca do Rô, em Santo André (SP). À princípio, funcionará como um e-commerce, mas há planos de abrir uma loja física. No portfólio, pães de fermentação natural, elaborados com ingredientes orgânicos. É só aguardar. Instagram: @padocadoro


Pão como legado

Flavio Pucci e o pão branco

 Apesar de ter seguido carreira na publicidade, a panificação corre nas veias do paranaense Flavio Fatureto Pucci. Inspirado pelo legado de um de seus avôs, que era padeiro em Uberaba (MG), e de seu padrinho, que tem uma padaria em Ribeirão Preto (SP), ele começou a fazer pães em casa há menos de um ano. E, para orgulho de sua família, o pão branco básico, o primeiro que ele fez na vida, ficou ótimo. “Por mais que você siga receita, pode dar muito errado. Mas a satisfação em acertar não tem preço”, diz.

Pão semi-integral de linhaça e amaranto, por Flavio Pucci

Como boa parte dos padeiros amadores, Pucci não tem equipamentos arrojados, mas usa e abusa da criatividade: improvisou um banetton (cesta de fermentação) com um pano costurado por sua mãe e um barbante amarrado numa cesta de vime. E uma lâmina de barbear espetada num palito de churrasco virou uma lame de boulanger, utilizada para fazer o corte do pão antes de ir ao forno. O publicitário sonha em transformar o hobby em profissão e já pensou até no nome da marca: Pãozim. Por enquanto, ele segue em busca do pão perfeito. twitter: @flaviopucci


Padeira autodidata

O pão de gergelim de Hanny Guimarães é uma variação do pão do campo

Quando estava em Melbourne (Austrália), em 2014, a jornalista Hanny Guimarães se encantou pelos pães sourdough que saboreava no café da manhã. De volta ao Brasil, quis matar a saudade. “Peguei uma receita de fermento natural pela internet e comecei a testar com os ingredientes daqui”, relembra. Foi o começo de uma série de pesquisas e práticas até chegar ao pão de casca crocante, miolo alveolado e consistência macia, que virou sua marca registrada. Com tantas fornadas, Hanny começou a divulgar seus pães para amigos e o hobby se tornou uma segunda profissão. Além de ser editora assistente da revista Espresso, fornece suas criações para o HM Food Café, o KOF e a Casa Volver, todos em São Paulo. Para quem deseja fazer pão em casa, Hanny aconselha que, antes de investir em infraestrutura, é preciso compreender o processo como um todo. “É como se alguém começasse a fotografar pela escolha da câmera. Se você não entende o processo e a função de cada ingrediente, não adianta ter o melhor forno”, diz. Instagram: @hannygb

Pão do campo, por Hanny Guimarães

Tirando o stress

Em meio a uma rotina atribulada, a estudante de medicina Ana Carolina Ceresani Ribeiro , de São Caetano do Sul (SP), consegue um tempinho para se dedicar ao seu hobby: a panificação. “Comecei a fazer pães em casa logo quando entrei na faculdade e encontrei na panificação uma forma de tirar o estresse do dia a dia”, conta ela.

Pão recheado com calabresa, tomate-cereja e manjericão mostram a veia italiana de Ana Carolina Ribeiro

Autodidata, Ana Carolina adora pesquisar sobre o assunto e, entre seus livros preferidos, estão: 500 pães: as mais incríveis receitas em um único livro, de Carol Beckerman e Pães artesanais, de Jane Mason, ambos publicados pela Quarto Editora. “Aprendi que o segredo é ter uma balança de precisão e usar bons ingredientes, a começar pela escolha da farinha”, diz ela, que prefere a italiana.

A tradicional focaccia, feita por Ana Carolina Ribeiro

Entre os pães que mais gosta de fazer em casa estão a focaccia e o pão recheado com calabresa, manjericão e tomate-cereja, que preparou para essa reportagem. “Sou de família italiana e estou sempre querendo alimentar as pessoas e deixá-las felizes”, diz.


Dicas essenciais para fazer pão

utensílios

Não é preciso investir em equipamentos arrojados. Os itens básicos: balança, timer, espátula de silicone (para manipular a massa), lâmina (para fazer corte na massa antes de assar), pote com tampa (para guardar o fermento) e panos limpos (para cobrirem a massa durante o descanso).


forno

Quem não tem forno combinado (que libera vapor), basta ter um forno convencional que atinja, no mínimo, 220ºC e colocar uma bacia de água com gelo ou usar borrifador. Outra saída é assar na panela de ferro. “Com o tempo, o ato de jogar água pode danificar o forno. Na panela, a massa fica isolada e mantém a umidade para formar a casca crocante”, explica Beth Viveiros, da Beth Bakery, em São Paulo.


farinha

Seja importada ou nacional, o importante é que a farinha de trigo tenha, no mínimo, 11% de proteínas. “Ela ajuda a desenvolver a cadeia do glúten e traz estrutura e flexibilidade à massa”, explica Renato Duarte, professor de gastronomia do Senac São Paulo.



fermento

O fermento natural (levain) pode ser iniciado apenas com farinha e água. A receita de Luiz Américo Camargo, por exemplo, tem como base suco de abacaxi e farinha de trigo integral. Já o biológico (Saccharomyces cerevisiae), pode até ser bem-vindo em pequenas quantidades para auxiliar o fermento natural, mas faz diferença. “Os fungos e bactérias contidos no levain promovem uma digestão mais lenta dos açúcares contidos na farinha, o que confere sabores mais complexos ao pão. O fermento biológico promove uma fermentação mais rápida, mas traz um sabor mais simples”, explica Camargo, autor do livro O Pão Nosso.



Fonte:
http://www.revistamenu.com.br/2016/08/22/paes-de-fermentacao-natural-vem-conquistando-admiradores/
Fonte das Figuras:
http://www.revistamenu.com.br/2016/08/22/paes-de-fermentacao-natural-vem-conquistando-admiradores/

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

COMO UMA PADARIA CASEIRA VIROU UM NEGÓCIO DE BAIXO RISCO




Por Giuliana Tatini

Beth Viveiros, 38, criou uma padaria com a cara dos novos tempos: pão artesanal de alta qualidade, estratégia de marketing digital e serviço com foco em solução para o cliente. Seus pães e bolos são frescos, feitos em fornadas planejadas apenas uma vez por semana. Muito diferente do serviço da padaria da esquina, que usa massa de pão congelada e pré-pronta, um pão de baixa qualidade que não chega crocante nem até o fim do dia.

A cada segunda-feira a padeira escolhe as receitas que vai assar e lança um post sobre as fornadas da Beth Bakery no Facebook (onde a página da padaria é avaliada com 5 estrelas) e no Instagram. Com um sistema de e-commerce simples, os pedidos de reserva começam a chegar no mesmo dia. Não raro, a venda é total, e os produtos estão esgotados antes de irem para o forno.

Às quartas e quintas-feiras, ela assa bolos, biscoitos e cookies. Na madrugada, começam as fornadas do pão salgado de fermentação natural, que já está em pré-fermentação há muitas horas. Toda a produção é embalada com carinho e, nas primeiras horas da sexta-feira, começa a ser distribuída por motoqueiros para a casa dos clientes no centro expandido de São Paulo.

A micropadaria assa uma média de 90 pães, 50 bolos e 350 biscoitos por semana, com preço médio de 12 reais por pão. A produção pequena permite que Beth cuide pessoalmente de todo o processo, além de fazer o relacionamento com clientes, sem perder o fim de semana ou o lucro.

Um negócio pequeno, artesanal, único 

Mas a padaria nasceu “micro” por força da necessidade. O investimento inicial foi de apenas 10 mil reais, gastos em equipamentos: uma masseira de 12 litros, uma batedeira de 6 litros e um forno com duas câmaras. A mágica acontece na cozinha do do apartamento de Beth, no bairro da Aclimação, na capital paulista.

A opção irredutível por um processo artesanal e, em alguns casos, pela fermentação natural também ajudou a determinar o modelo de negócio de Beth: “Não uso fermentos industriais, melhoradores de farinhas, conservantes, essências ou outros aditivos”
Nos pães salgados, quando opta pela fermentação natural, a padeira tem que administrar processos de fermentação que podem levar 24 ou 36 horas. Tanto trabalho resulta em um pão de sabor mais rico, e que dura pelo menos uma semana com frescor.

Como a produção é pequena e planejada, permite o uso de ingredientes de alta qualidade: farinha integral, ovos orgânicos, frutas e legumes de época. Ela também descarta usar derivados de milho e soja (um espessante natural importante para padarias) para evitar o contato com ingredientes transgênicos.

Há outras padeiras caseiras trabalhando na cidade. Algumas delas são formadas em escolas internacionais e têm experiência em fornos trendy de cidades como São Francisco e Paris. Os pães são espetaculares e as fornadas são vendidas em lista de e-mails com sabor de exclusividade. São produções delicadas, para poucos, e a oferta esgota-se em horas. Pode até ser frustrante passar semanas tentando comprar um pão. A Beth Bakery tem um posicionamento diferente: sua operação de e-commerce e marketing digital é tão charmosa e eficiente quanto a oferta de pães artesanais.

A tecnologia como aliada da simplicidade 

Beth aliou sua produção de alta qualidade a dois serviços que encantam o paulistano: o delivery e a assinatura. Depois de testar entregas de carro e bicicleta, fechou com uma empresa de motoqueiros e cobra taxa de entrega de 10 reais. Já as assinaturas são uma forma de facilitar o pedido e oferecer um desconto: quem preferir pode fazer de uma vez só a compra das próximas quatro semanas (os sabores dos pães ficam de surpresa).

A tecnologia é o ingrediente final da receita do negócio da Beth Bakery. Com a produção pequena e uma janela de venda justinha, de três dias, Beth usa as redes sociais como vitrine. Além de contar, a cada segunda-feira, quais serão as fornadas programadas, Beth investe 25 reais por fornada com anúncios no Facebook, cerca de 120 reais no mês. Ela cruza os dados que coleta dos clientes na loja virtual com o serviço do Facebook e mostra o anúncio com as fornadas da semana para gente que já comprou na bakery. “Uso esse recurso para lembrar clientes que tem fornada nova saindo”, conta. Atualmente, 40% do tráfego do site vem do Facebook, entre links orgânicos e anúncios. “As compras efetivamente concluídas a partir dos anúncios do Facebook correspondem a 12%, sendo que a maior parte ainda vem direto ou pelo e-mail semanal”, afirma. Beth chamou a atenção do Facebook for business, que usou a sua história como um case de sucesso no uso da plataforma feito por pequenos negócios no Brasil.

As fornadas são vendidas apenas pelo site. Nada de telefone ou emails. O sistema usado para o carrinho de compras é da empresa carioca XTech. “Escolhi esta empresa porque eles também são pequenos e podem me dar um atendimento rápido como preciso”, conta Beth. Como forma de pagamento, a bakery aceita Paypal, PagSeguro e até depósitos nos bancos Itaú e Bradesco. Mas não aceita pagamento em dinheiro, cheque ou em Bitcoins.

Beth formou-se em panificação com Rogério Shimura, o mais importante professor de padeiros da cidade, no início de 2014. “Eu não sou chef!”, enfatiza. Fez estágio na empresa de Shimura e aprendeu ali como se faz a produção em larga escala. “A operação dele é para atender restaurantes, saem caminhões de pães com entregas todos os dias”, conta. Só para uma hamburgueria famosa, em Pinheiros, são 300 pães de hambúrguer todos os dias, um volume que não atrai a empreendedora: “Não me vejo em um negócio deste tamanho. Não quero me afastar da cozinha artesanal nem do comando no negócio inteiro. Prefiro ter uma padaria pequena”
Antes de começar a padaria artesanal, Beth tinha uma carreira em uma empresa de engenharia. Seu último job foi montar e atender a estrutura de facilities do escritório do Google em São Paulo. “Sempre tive emprego coxinha”, conta Beth. Filha de uma família classe média, ela diz que quase não teve escolha na profissão. Passou da escola técnica (em secretariado) para uma faculdade de engenharia (que nunca terminou), e logo começou a trabalhar na empresa de engenharia onde passaria 13 anos.

Foi justamente a experiência com os processos da engenharia que capacitaram Beth para encarar a vida de empreendedora. “Quando pedi demissão, eu precisava respirar, fazer as coisas que não tinha feito com 20 anos, passear com o cachorro e tomar sol de tarde”, diz ela. “Não tinha planos; mas não dá pra dizer que foi uma decisão sem pensar.” Poucos meses depois de se desligar do mundo da engenharia, Beth já estava na escola de Shimura. Montou a Beth Bakery enquanto ainda estava fazendo aulas, e vendia as fornadas para os amigos.

Os pães vieram com a nova vida  

Sua inspiração vem de pequenas boulangeries na França, no Canadá e na Argentina. “No Brasil, a profissão do padeiro não é valorizada”, diz. “Mas nestes países, os jovens profissionais da panificação estão voltando para cidades pequenas onde podem fazer a diferença na comunidade com seu trabalho, ou abrindo negócios pequenos com uma relação intensa com a comunidade dos bairros em que escolhem ficar.” Muitos deles, nativos digitais, usam as redes para mostrar a produção e deixar o cliente com água na boca. “Decidi apostar na padaria artesanal depois de ver o vídeo dos canadenses da Polestar Hearth“, conta Beth, que também se inspira na americana Barrio Bread e nas argentinas Cocu e L’épi.

A fornada dessa semana já saiu!

Os rapazes da Polestar Hearth baseiam seu negócio em valores como a força na rede de consumidores, lição que Beth procura adotar. Dizem no site: “Por que adotar um plano de assinatura de pães, o breadshare? Porque empreendimentos apoiados pela comunidade permitem que padeiros artesanais e agricultores operem de maneira sustentável, em um mix de habilidades tradicionais e inovadoras, com baixo custo, ferramentas simples e uma rede comunitária que sustentam o negócio fisicamente e espiritualmente”.

Beth acaba de fechar o aluguel de sua cozinha de produção. Ainda não sabe se vai continuar com portas fechadas ou se vai abrir em alguma hora do dia para atender também a vizinhança. Não quer ignorar as oportunidades apenas porque criou um modelo de negócios de sucesso com base em um marketing digital e muita conexão com seu público. Por ora, pretende abrir a portinha discretamente, para oferecer seu pão aos vizinhos do bairro.

Para quem não mora na Aclimação, o endereço continua o mesmo: a internet.



Fonte:
https://saopaulosao.com.br/negocios-criativos/150-como-uma-padaria-caseira-virou-um-neg%C3%B3cio-de-baixo-risco.html

Em defesa da Cultura Brasileira