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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

PESQUISA FUNDAMENTA PRIMEIRA INDICAÇÃO GEOGRÁFICA DE CAFÉ CANÉFORA DO MUNDO (DEZ/2019)

A valorização do terroir amazônico para cafés finos pode representar nova fase para a cafeicultura da região e do País



Rondônia avança no processo de reconhecimento para ter a primeira Indicação Geográfica – IG de café da espécie Coffea canephora (conilon e robusta) do mundo e, com a chancela da Global Coffee Plataform – GCP, pode também ter destaque mundial ao se tornar a primeira IG de cafés sustentáveis. 

A proposta de Indicação Geográfica Região Matas de Rondônia para Robustas Amazônicos pode consolidar o reconhecimento da qualidade sensorial dos cafés canéforas no Brasil e no mundo. “É uma grande quebra de paradigmas no mercado, provando que Rondônia, além da produtividade, também tem enorme potencial de qualidade em seus cafés”, destaca o consultor responsável pelo processo da IG em Rondônia, Aguinaldo Lima.

De acordo com pesquisadores da Embrapa Rondônia, os Robustas Amazônicos são o resultado de mais de quatro décadas de interação entre genética, ambiente e manejo. Possuem características físicas, químicas e sensoriais que podem ser consideradas distintas e únicas.  “Eles carregam seu diferencial no nome, pois são produzidos em terroir amazônico, que possui características que não são encontradas em outras regiões do País e do mundo”, afirma o pesquisador da Embrapa Rondônia, Enrique Alves. 

Ele explica que os cafeicultores rondonienses e, principalmente da região da IG Matas de Rondônia, aprenderam a valorizar o fruto do seu trabalho. Realizam colheitas cuidadosas e secagem lenta. Há ainda os que têm investido em técnicas de processamento via úmida e processos fermentativos diversos. São passos importantes e que tem feito a grande diferença na qualidade. 

Além disso, já adotaram a denominação ‘Robustas Amazônicos’ para seus cafés e a prática sustentável em suas lavouras.  “A Indicação Geográfica vem reconhecer o que os produtores de Rondônia já tem feito em campo e que a pesquisa fundamenta tecnicamente. O conjunto de características desses cafés, sua origem amazônica e a busca por uma produção com base na qualidade e sustentabilidade, tem tudo para transformar estes cafés nos componentes principais de bebidas finas, puros ou na forma de blends (misturas) finos”, conta Alves. 
 
O pesquisador caracteriza os Robustas Amazônicos como bebidas de sabor e aroma agradáveis, com doçura e acidez suaves, corpo aveludado e retrogosto marcante. “São cafés que têm características que lembram castanhas, chocolates, frutas secas e seu amargor, quando presente, lembra nibis de cacau”, detalha. Outros diferenciais dos cafés amazônicos, segundo Alves, são a peneira média alta – superior a 16 – e percentagem de cafeína mais baixa que o conilon padrão – varia de 1,4 a 1,8. 

São diversos os perfis de produtores em Rondônia: familiares, empresariais, indígenas e orgânicos. Eles convivem em um ambiente rico e variável de clima e solo. Segundo Aguinaldo Lima, com qualidade, volume e o cumprimento obrigatório de requisitos de sustentabilidade, os produtores terão a valorização de seus Robustas Amazônicos. “A agregação de valor trará motivação ainda maior ao crescimento da cafeicultura de Rondônia e benefícios ao agronegócio do café do Brasil”, conclui o consultor.


RECONHECIMENTO DO CAMPO PARA O CONSUMIDOR

No campo, a Indicação Geográfica dos Robustas Amazônicos pode fortalecer e valorizar o que os produtores já vêm realizando há alguns anos. Premiados pela qualidade e sustentabilidade dos cafés que produzem, eles já usam o diferencial e a denominação de Robustas Amazônicos para agregarem mais valor ao seu produto e, consequentemente, mais renda.

É o caso da família Bento, do município de Cacoal, campeões em concursos de qualidade e sustentabilidade, eles comercializam o próprio café, incluindo estes diferenciais na hora da venda. 

“Qualidade, sustentabilidade e o nome Robusta Amazônico agregam muito. Ao invés de vender a saca de 60 quilos de café a 260 reais no comércio, a gente torra e embala nosso robusta amazônico de qualidade e chega a conseguir em torno de 800 reais de lucro na saca. As pessoas querem conhecer esse café diferenciado da Amazônia”, conta Dione Bento.

Assim como esta família, outras mais estão seguindo o mesmo caminho e unindo forças por meio da Associação dos Cafeicultores da região da Indicação Geográfica dos Robustas Amazônicos – Caferon, marco fundamental para o processo de reconhecimento da IG. O presidente da Associação, Juan Travain, destaca a importância desse selo de reconhecimento. Para ele, a união das famílias para a produção de cafés com qualidade e sustentabilidade é fundamental para agregar valor e organizar os produtores. “Precisamos enxergar o café como um alimento, levar para a mesa das famílias brasileiras um produto melhor, mais saboroso e com o diferencial amazônico que temos aqui”, afirmou. 

A Caferon é composta por cafeicultores dos 15 municípios integrantes da IG, denominada como Matas de Rondônia: Alta Floresta d’Oeste, Cacoal, São Miguel do Guaporé, Nova Brasilândia d’Oeste, Ministro Andreazza, Alto Alegre dos Parecis, Novo Horizonte do Oeste, Seringueiras, Alvorada d’Oeste, Rolim de Moura, Espigão d’Oeste, Santa Luzia d’Oeste, Primavera de Rondônia, São Felipe d’Oeste e Castanheiras.

 
Um dos resultados imediatos no processo de IG é a identificação, o reconhecimento e a divulgação de atributos do café da região à sociedade e à indústria. A aproximação da indústria com a cadeia produtiva e sua organização traz inúmeros benefícios, como a percepção da qualidade e valor do café. Isso pode gerar novos produtos que estarão disponíveis aos consumidores. 

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel - ABICS, Pedro Guimarães Fernandes, o processo de Indicação Geográfica acontece em um momento muito apropriado, em que os consumidores querem saber de onde vêm os produtos que eles consomem, de que maneira está sendo produzido, se é sustentável e se agrega valor para a comunidade. “A IG vai abrir possibilidades de comercialização do café de Rondônia, incluindo o solúvel. A indústria de solúvel é o maior comprador dos cafés do estado e exporta para mais de 180 países. Isso abre possibilidades imensas de comercialização do café solúvel, cru e isso agrega valor e todos da cadeia ganham com isso”, conclui Pedro Fernandes.
 
A especialista em cafés especiais e mercado, Josiana Bernardes, que atua nos principais países produtores, confirma que a rastreabilidade do café é uma demanda mundial dos consumidores. “Um café da região amazônica causa bastante interesse, principalmente porque agrega à qualidade também a sustentabilidade. A Indicação Geográfica pode valorizar ainda mais estes cafés e abrir novos mercados”, ressalta Bernardes.

  
INDICAÇÃO GEOGRÁFICA: FUNDAMENTAÇÃO TÉCNICA

Uma IG é um processo de valorização de produtos que têm qualidade diferenciada em relação aos demais e com forte vínculo com as características genéticas, forma de produção e com o ambiente onde é produzido. O Robusta Amazônico é um exemplo desta combinação. Trata-se de um café cultivado na região amazônica, que possui clima, solo e outras variáveis diferentes de outras regiões. Este café foi geneticamente selecionado ao longo do tempo nestas condições e, aliada à forma de o produtor trabalhar no campo acaba por se tornar diferenciada. “A IG vem para reconhecer estas características e ajudar na evolução de toda a cadeia. É a valorização do produto e do trabalho dos cafeicultores”, destaca Enrique Alves 

A argumentação técnica para a proposição da IG Matas de Rondônia foi elaborada pela equipe da Embrapa Rondônia. Para subsidiar o trabalho, foram levantados dados que vão desde o produto e suas qualidades intrínsecas, caracterização edafoclimática (clima e solo), a metodologia, o manejo da produção e um grande levantamento sobre a notoriedade histórica da produção de café em Rondônia, especificamente a região dos 15 municípios que compõem a região delimitada para a IG. “O coração do processo de IG é a contribuição técnica da Embrapa Rondônia”, aponta o consultor Aguinaldo Lima. 

O estado está entre os três maiores produtores da espécie Coffea canephora do País e é o maior da região Norte. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de 2019 foi de, aproximadamente, 2,1 milhões de sacas em uma área de 62.729 hectares. Em uma década, a produtividade saltou de dez para 33 sacas por hectare, o que representa um crescimento de 230%. Isso, graças ao uso de tecnologias como irrigação, adubação e manejo adequado, além das novas variedades clonais, mais produtivas e que vêm substituindo as lavouras propagadas por sementes.
 

ASPECTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DA REGIÃO DA IG MATAS DE RONDÔNIA

A cafeicultura tem grande impacto social no estado. É uma das principais atividades agrícolas geradoras de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS para Rondônia, sendo realizada por 17.388 mil agricultores familiares, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses, 10.147 (58,4%) estão estabelecidos nos 15 municípios inseridos na região de abrangência da IG Matas de Rondônia, que possui um dos mais expressivos parques cafeeiros do país. Ao considerarmos as 54.381 pessoas ocupadas na cafeicultura no estado, 29.630 (54,5%), também estão nesta região. 


 
Estes 15 municípios possuem cerca de 17% da população e da extensão territorial do estado. Detêm mais de 60% das áreas de lavouras de café e gera 83% da produção de café de Rondônia. A relação dessa região com a atividade agropecuária é forte e todo o trabalho desenvolvido nessa região tem um impacto na vida de mais de 300 mil pessoas.

A cafeicultura em Rondônia é conduzida em módulos familiares, com média de quatro hectares plantados. A base de toda a mão de obra é familiar e, o processo de colheita é basicamente manual.  A exceção fica para um pequeno grupo de produtores, não superior a 30, que possui equipamentos para a colheita semimecanizada. Com relação à prática de irrigação, o percentual médio de lavouras irrigadas é maior no conjunto dos municípios situados no âmbito da região proposta para a IG (59,1%), a média do estado é de 50,9%. 

Além disso, os municípios da IG Matas de Rondônia possuem um índice de lavouras remanescentes, propagadas por meio de sementes, superior a 50%. “Não há outra região no País que ainda preserve tamanha diversidade genética em seus cafezais”, aponta o pesquisador Enrique Alves. Como resultado disso, ele explica que existe uma centena de clones que são produzidos e comercializados em toda região amazônica. 

Por falar em clones, apesar da diversidade, as lavouras comerciais estão vinculadas, principalmente, a cinco clones produzidos pelos próprios produtores, conhecidos pelos numerais 03, 05, 08, 25 e 66. 
 

ROBUSTAS AMAZÔNICOS NO CAMPO
 
Além de originarem bebidas finas e com sabores complexos e únicos, os pesquisadores da Embrapa Rondônia descrevem os Robustas Amazônicos como plantas vigorosas e produtivas. São conduzidas em multicaules e têm um sistema de poda programada que mantem as lavouras renovadas e diminui o efeito da bianualidade da produção. Como os cafés Robustas são plantas alógamas, possuem a necessidade da fecundação cruzada e, por isso, os cafeicultores cultivam linhas intercaladas de seis ou mais clones. 

Cada um desses clones possui a sua característica de porte, produção, tamanho de frutos e ciclo de maturação. São materiais genéticos responsivos aos tratos culturais, e, em lavouras bem cuidadas, não raro, ultrapassam 150 sacas por hectare. Os arranjos espaciais das lavouras variam bastante, os mais comuns são de 0,70 m a 1,50 m entre plantas e 2,50 m a 3,50 m entre linhas de plantio. O número de hastes produtivas por hectare varia de 8 a 12 mil.

 
CLIMA E SOLO DA REGIÃO

O clima da região da IG Matas de Rondônia caracteriza-se por apresentar uma pequena variação espacial e temporal da temperatura média do ar no decorrer do ano. O mesmo não ocorre em relação à pluviosidade, que apresenta variações consideráveis. A temperatura média anual entre 23 °C e 26 °C encontra-se dentro da faixa de apta para o cultivo de Coffea canephora. A precipitação média anual varia de 1.340 mm e 2.340 mm, com média de 1.906,5 mm. São duas estações bem definidas: a chuvosa, outubro a abril, em que se concentra quase 90% da precipitação anual, e a estação seca, com chuvas escassas, entre os meses de junho e agosto, precipitação mensal inferior a 50 milímetros. Os meses de maio e setembro são de transição. 

As terras aptas ao cultivo do café na região incluem àquelas com solos profundos, bem drenados, com boa capacidade de armazenamento de água e situados em paisagem de relevo de baixa a média declividade, facilitando a adoção de mecanização. A altitude média dos municípios que compõem a região varia de 180 a 400 metros. De forma geral, estão associadas aos solos da ordem dos Latossolos, Argissolos e Nitossolos, sendo os Argissolos predominantes.

 
INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

Serve para distinguir um produto ou serviço que apresenta características diferenciadas e que podem ser atribuídas à sua origem geográfica, configurando o reflexo do ambiente. Isto quer dizer que, além das condições naturais, os fatores humanos e culturais importam. 

O reconhecimento formal da IG no País e responsabilidade Geográfica cabe ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual – INPI, autarquia do governo federal. Por meio de diagnósticos e análises técnicas realizadas em Rondônia, pela Rede Nacional de Inovação e Produtividade – RENAPI, programa vinculado à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI, foi efetivada a contratação da empresa AJLima Consultoria em Agronegócios, para a realização de serviços técnicos de elaboração e aplicação de metodologia para a Indicação Geográfica  de região produtora de café em Rondônia, por meio do contrato 016/2018. 

Esta empresa está sob a liderança de Aguinaldo José de Lima. Ele esteve à frente da criação da 1ª região demarcada como produtora de café do Brasil, a Região do Cerrado Mineiro, sendo responsável pelo protocolo do primeiro pedido de reconhecimento de uma Identificação Geográfica no Brasil, em 1997.  Também atuou na Denominação de Origem (DO) da Região Cerrado Mineiro – única DO de café no Brasil, na IG Norte Pioneiro, no Paraná e na IG Oeste da Bahia.



Texto extraído de:
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/48762634/pesquisa-fundamenta-primeira-indicacao-geografica-de-cafe-canefora-do-mundo
Fonte Figuras:
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/48762634/pesquisa-fundamenta-primeira-indicacao-geografica-de-cafe-canefora-do-mundo
 
 

AS REGIÕES DE CAFÉ DEMARCADAS EM MINAS GERAIS

 



Fonte:
https://mco.org.br/as-regioes/



BSCA ATUALIZA MAPA DAS ORIGENS PRODUTORAS DE CAFÉ DO BRASIL (JUN/2019)

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) atualizou o mapa das origens produtoras do grão no país. A nova apresentação conta com 30 zonas do cinturão cafeeiro e traz como novidades a região do Caparaó, em processo de reconhecimento para Denominação de Origem (DO), a Indicação de Procedência do Oeste da Bahia e atualizações para as áreas de café robusta e conilon do Norte do Brasil.

O mapa foi elaborado pela BSCA após consulta a órgãos estaduais e federais, com a delimitação por município. “A atualização do cinturão cafeeiro do país é um passo extremamente importante em relação à promoção internacional dos cafés brasileiros. Além disso, desenvolvemos a geografia dos cafés do Brasil para que todo o mundo conheça a diversidade da nossa produção e, principalmente, valorize o café colhido em cada área”, revela Vanusia Nogueira, diretora da Associação.

Segundo ela, a atualização do mapa é fundamental para que o Brasil apresente ao mundo que tem capacidade para produzir uma grande diversidade de cafés, aliando quantidade à qualidade. "Além de mostrar que possuímos mais café em mais regiões, essa repaginação que fizemos destaca o desenvolvimento de novas origens e microrregiões cafeeiras no país, tanto para a variedade arábica, como Campo das Vertentes, em Minas Gerais, quanto para os cafés robusta e conilon, como as Matas de Rondônia, por exemplo", explica.

Vanusia lembra que o Brasil é um país com dimensões continentais, o que proporciona uma ampla diversidade de topografia e clima e faz com que os cafés de cada região tenham características diferenciadas e únicas, como inexiste em qualquer outra nação produtora. “A BSCA tem como 'norte' a promoção dos cafés nacionais e suas origens, destacando que cada qual possui atributos ímpares e são capazes de colher um produto que proporcione bebidas excepcionais e que estimule o consumo em todo o mundo”, conclui.


O MAPA

Com a denominação “Origens de Café no Brasil”, o mapa apresenta as 30 áreas de produção no país, sendo sete em Minas Gerais, seis em São Paulo, três na Bahia, duas no Espírito Santo, no Paraná e em Rondônia e uma no Rio de Janeiro, Ceará, Goiás, Pernambuco, Distrito Federal, Acre, Mato Grosso e na divisa entre Espírito Santo e Minas (Caparaó). Entre elas, estão incluídas a Denominação de Origem do Cerrado Mineiro e as Indicações de Procedência da Mantiqueira de Minas, Alta Mogiana, Região de Pinhal, Oeste da Bahia e do Norte Pioneiro do Paraná. O mapa e as especificações de cada uma das regiões produtoras (link: http://brazilcoffeenation.com.br/region/list) podem ser conferidos no site da BSCA.




Texto extraído de:
http://brazilcoffeenation.com.br/Not%C3%ADcias/BSCA-atualiza-mapa-origens-produtoras-cafe-brasil
Fonte Figura:
http://brazilcoffeenation.com.br/Not%C3%ADcias/BSCA-atualiza-mapa-origens-produtoras-cafe-brasil



MAPA DA PRODUÇÃO BRASILEIRA DE CAFÉS ESPECIAIS (2017)

 


Fonte Figura:
http://www.thecoffeetraveler.net/new-blog-3/tag/Ci%C3%AAncia+do+Caf%C3%A9


sexta-feira, 23 de março de 2018

REGIÕES PRODUTORAS DE CAFÉ NO BRASIL

O Brasil é um grande produtor de café, confira abaixo as principais regiões produtoras e suas características.

Cerrado Mineiro – 100% Arábica. Os cafés do Cerrado de Minas Gerais são caracterizados pela bebida fina, corpo forte e excelentes aroma e doçura. São produzidos em altitudes entre 800m e 1.200m. A região tem estações bem definidas: verões quentes e chuvosos seguidos por invernos secos e frios. Ou seja, o clima ideal para o cultivo de cafés naturais de alta qualidade. O padrão climático do Cerrado é singular e ajuda a produzir excelente café Arábica processado por via natural (secos ao sol). A florada é concentrada, o amadurecimento é uniforme e é acompanhado por bastante luminosidade, ajudando a fixar aroma e doçura.

Sul de Minas – 100% Arábica. São cafés que atingem as melhores classificações de bebida (mole ou estritamente mole), encorpados com alta acidez e um sabor doce característico. O Sul de Minas é a maior região produtora de cafés Arábica do Brasil. Tem altitudes entre 850m e 1.250m e temperatura média anual entre 22 e 24°C. As variedades mais cultivadas são o Catuaí e o Mundo Novo, mas também há lavouras das variedades Icatu, Obatã e Catuaí Rubi.

Mogiana – 100% Arábica. A bebida produzida nesta região é bastante encorpada, com aroma frutado e sabor suave e adocicado. Uma das mais tradicionais regiões produtoras de café Arábica, a Mogiana está localizada ao norte do estado de São Paulo, com cafezais a uma altitude que varia entre 900 e 1.000 metros. A temperatura média anual é bastante amena em torno de 20°C. A região produz somente café da espécie Arábica, sendo que as variedades mais cultivadas são o Catuaí e o Mundo Novo.

Paraná – 100% Arábica. Os cafés produzidos no norte do Paraná proporcionam uma bebida extremamente encorpada, com um amargo acentuado, aroma caramelizado e acidez normal. A altitude média é de 650 metros, sendo que na região do Arenito, a altitude é de 350 metros e na região de Apucarana chega a 900 metros.

Bahia – Robusta e Arábica. Os grãos proporcionam uma bebida com sabor suave, levemente achocolatado, pouco corpo e com notável acidez. Há três regiões produtoras consolidadas: a do Planalto, mais tradicional produtora de café Arábica; a Região Oeste, também produtora de café Arábica, sendo uma região de Cerrado com irrigação e a Litorânea, com plantios predominantes do café Robusta (Conilon). Na Região Oeste, existe um número cada vez maior de empresas utilizando café irrigado, contribuindo para a consolidação do Estado como o quinto maior produtor do país.

Espírito Santo – Robusta e Arábica. As lavouras de Robusta ocupam a grande maioria do parque cafeeiro estadual e respondem por quase 2/3 da produção brasileira da variedade que se expandiu principalmente nas regiões baixas, de temperaturas elevadas. O Estado coloca o Brasil como segundo maior produtor mundial de Robusta.
Rondônia – 100% Robusta. Rondônia é o sexto maior Estado produtor de café e o segundo maior produtor de Robusta do país. A produção é constituída exclusivamente de café Robusta.



Fonte:
https://blogdocafe.com/2015/06/25/regioes-produtoras-de-cafe-no-brasil/
Fonte da Figura:
https://blogdocafe.com/2015/06/25/regioes-produtoras-de-cafe-no-brasil/

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

INDICAÇÃO GEOGRÁFICA CAFÉ DA REGIÃO DO CERRADO MINEIRO

A Região do Cerrado Mineiro é regulamentada pela Federação dos Cafeicultores do Cerrado, uma organização sem fins lucrativos, organizada e estruturada em um grupo composto por 7 associações de produtores e 8 cooperativas. E é a união dos produtores da região que faz a diferença e que permite a realização de ações inovadoras, como o lançamento do conceito Café de Atitude, a estratégia de marca que começa a ser colocada em prática.


Produtora de café há pouco mais de 40 anos, a Região do Cerrado Mineiro ganhou destaque no cenário nacional tanto pela alta qualidade de seus grãos quanto pela ousadia com que busca diferenciação e alternativas para a atividade, sempre contemplando todos os produtores e as comunidades. Esse formato de organização teve início em 1992, quando foi criado o Caccer – Conselho das Associações dos Cafeicultores do Cerrado para a representação institucional da região e do marketing da marca Café do Cerrado, numa tentativa promissora de alavancagem de preço, que se deu com o passar dos anos, aliada à produção de qualidade dos produtores. 



Em 1999, foi criada a Fundaccer – Fundação de Desenvolvimento do Café do Cerrado, cuja missão é estabelecer linhas de pesquisa para a produção, identificação e aplicação de cafés especiais. A Fundação atua em parceria com universidades brasileiras e centros de pesquisa; mantém convênios com renomadas instituições internacionais e é a mantenedora do CEC – Centro de Excelência do Café do Cerrado. Localizado em Patrocínio, o CEC tem entre as diversas funções a de realizar cursos e promover intercâmbio permanente de experiências com técnicos e especialistas de diversas regiões produtoras.

Em 2002, foi implantado o sistema de Certificação de Origem e Qualidade para o controle dos cafés que levavam o selo da região, primeiramente com a chancela do IMA – Instituto Mineiro de Agropecuária e, posteriormente, com controle interno próprio, por meio da parceria com a Associação Americana de Cafés Especiais – SCAA. Em 2005, em vista da importância das questões socioambientais, implantou-se o programa de Certificação de Propriedade. Em 2006, mais uma vez por meio da união das entidades, predominantemente das cooperativas, os produtores conseguiram dar viabilidade econômica ao CACCER, num marco de união e fortalecimento para a marca Café do Cerrado.

Em 2007, firmaram parceria com a ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café, para atender as demandas de torrado e moído, no projeto Cafés Sustentáveis do Brasil. Em 2008, uma parceria estratégica foi feita com a Rainforest Alliance, uma das maiores certificadoras socioambientais do mundo, aliando sustentabilidade no empreendimento rural com a origem e qualidade do Café do Cerrado.


Em 2009, em parceria com o Sebrae-MG, partiram para mais um desafio: estruturar um projeto para a obtenção da Denominação de Origem junto ao INPI, com o objetivo de angariar mais uma ferramenta competitiva do agronegócio, bastante valorizada pelo mercado externo e de vanguarda no interno: a intenção é refinar a bebida café ao nível dos vinhos.

Também em 2009 foi alterada a razão social do Caccer para Federação dos Cafeicultores do Cerrado. A mudança traz consigo não só a ratificação da nomenclatura, mas tem como intuito principal a adoção de uma postura mais democrática, na inclusão de todos os cafeicultores da região.

Fonte:
http://www.coopa.com.br/paginas/cooperativismo/regiao-do-cerrado-mineiro
Fonte das Figuras: 
Fonte: http://www.cafedocerrado.org
Fonte: http://www.green-coffee-belco.com/blog_en/brazil-beyond-santos/

INDICAÇÃO GEOGRÁFICA CAFÉ DA REGIÃO DA SERRA DA MANTIQUEIRA DE MINAS

Tradição e modernidade com qualidade internacional: Resultado da combinação do clima frio de altitude, chuvoso no verão e seco no período de maturação dos frutos e na colheita, o café fino da Serra Mantiqueira de Minas Gerais possui qualidade reconhecida em concursos internacionais.



O café da Serra da Mantiqueira de Minas Gerais é resultado da integração de fatores como o clima extremamente frio, chuvoso no verão e seco no período de maturação dos frutos e durante a colheita, altitudes elevadas — variando entre 1.100 e 1.500 metros — qualidade da água e o solo característico da região. Produzido em áreas montanhosas, que impedem a mecanização da lavoura, o café fino da Mantiqueira é de altíssima qualidade, reconhecida em concursos internacionais.
Apesar da suscetibilidade a geadas, o cultivo do café na região data de meados de 1800, mas sua expansão ocorreu entre 1913 e 1925. Porém, foi a partir de 1996 que a tecnologia cafeeira regional foi aprimorada, com a introdução de novas cultivares — de ciclo precoces, médios e tardios — e a adequação e modernização da infraestrutura pós-colheita, como lavadores, separadores e descascadores do café cereja.





Procedência


Procedência Registro IG 200704 INPI Indicação de Procedência/2011

Área Geográfica Delimitada: 59 mil ha (22 municípios de MG)
Altitude: de 900m a 1.400m

Importância econômica

Ao unir tradição e modernidade, os produtores se diferenciam por colher grãos de alta qualidade, em safras consistentes que garantem o fornecimento. A atividade, exercida em 59 mil hectares por cerca de oito mil produtores (82% de origem familiar), gera 1,25 milhão de sacas de café por ano e 150 mil empregos diretos e indiretos. Espera-se, com a Indicação de Procedência (IP), obtida em maio 2011, uma remuneração 20% superior para o produtor, além de outros valores ao produto, como a garantia da adoção de práticas sustentáveis.

Só Minas Gerais

Apesar de a Serra da Mantiqueira reunir municípios em três estados (Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro), esta Indicação Geográfica (IG) considera apenas a produção dos municípios mineiros: Baependi, Brasópolis, Cachoeira de Minas, Cambuquira, Campanha, Carmo de Minas, Caxambu, Conceição das Pedras, Conceição do Rio Verde, Cristina, Dom Viçoso, Heliodora, Jesuânia, Lambari, Natércia, Olímpio Noronha, Paraisópolis, Pedralva, Pouso Alto, Santa Rita do Sapucaí, São Lourenço e Soledade de Minas.

Reação à crise

Foi a crise dos preços do café, enfrentada desde o ano 2000, que levou os produtores a buscarem alternativas de produção, não mais via aumento da escala, mas sim rumo à qualidade. Assim, a Associação dos Produtores de Café da Mantiqueira (Aprocam) iniciou os trabalhos para conquista de um diferencial: a produção de cafés de qualidade. Uma comissão técnica foi criada com o dever de elaborar o projeto para os cafés da Serra da Mantiqueira — Face Minas Gerais, que previa a realização do trabalho em três etapas: estudo agronômico, análise sensorial dos cafés e histórico da produção regional, comprovando a notoriedade da cultura.

Como o trabalho nas lavouras é todo manual, por impossibilidade de mecanização devido às condições topográficas, o custo da mão de obra é alto. A tendência é de aumento no custo da saca produzida, desde que remunerada, a qualidade seria a única saída para driblar a crise.

Adaptação

Para alcançarem esse objetivo, com clima chuvoso no verão e frio e seco durante o período de maturação dos frutos e também durante a colheita, as propriedades tiveram que se adequar às novas exigências, realizando altos investimentos na aquisição de descascadores, secadores, terreiros pavimentados/suspensos, entre outros, que também impactaram os custos de produção. A certificação exige paciência, pois todos os requisitos da microrregião são meticulosamente analisados, já que o selo garante ao consumidor que o produto possui atributos diferenciados e tem origem.

Café de qualidade x café comum

O café de qualidade diferencia-se dos cafés comuns por características tais como: qualidade superior da bebida, aspecto dos grãos, forma de colheita, tipo de preparo, novas cultivares, entre outras condicionantes. A exigência por qualidade da bebida do café é considerada um critério consolidado para se atingir os mercados que melhor remuneram o produto. A demanda por cafés especiais no mundo cresce em proporções muito maiores do que os cafés comuns.


Fonte:
http://sna.agr.br/indicacao-geografica-cafe-da-regiao-da-serra-da-mantiqueira-do-estado-de-minas-gerais/
Fonte das Figuras:
www.mantiqueirademinas.com.br


Sebrae

O MAPA DAS IDENTIFICAÇÕES GEOGRÁFICAS DO CAFÉ



Fonte: 
http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/Cafe/noticia/2017/06/indicacao-geografica-estimula-cafeicultores-melhorar-qualidade-do-cafe.html