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quinta-feira, 16 de junho de 2022

DE ONDE VEM O CAFÉ DAS CÁPSULAS DA NESPRESSO

Da fazenda da IP, localizada no sul de Minas Gerais, saem cafés premiados e comercializados em mais de 40 países


Fazenda IP, no Sul de Minas Gerais, uma das fornecedoras da Nespresso

Lembre de George Clooney falando what else? na campanha mundial da Nespresso. O charme derramado pelo garoto propaganda da marca é a parte visível de uma cadeia que se inicia em fazendas de diversas partes do mundo. Dentre as quais, o Sul de Minas Gerais. A região possui atributos naturais para ser a referência que é, como a altitude de mais de 1,3 mil metros acima do nível do mar.

A fazenda IP, em Carmo de Minas, é uma das fornecedoras do café vendido em forma de cápsulas. De lá, saem produtos premiados e comercializados em mais de 40 países. Há uma conexão entre as fazendas e o glamour do café vendido em boutiques pelo mundo. E este fio tem história.

Uma das fazendas fornecedoras ilustra. O dono, Luiz Paulo Pereira, é herdeiro. Seus pais já viviam do café como sucessores de seus avós. A sucessão levou ao atual Grupo Sertão. Luiz Paulo toca as operações com mais três sócios. O grupo tem outra fazenda, homônima. Controlam também empresa de torrefação, exportadora e duas cafeterias Unique. Nela vendem o café que produzem, da marca Carmo Coffees.

O grupo exibe com orgulho o prêmio "Cup of Excellence". Afere a qualidade com pontuação. A dele foi recorde. "É a maior pontuação de café do mundo: 95,85 pontos", serve Luiz Paulo. A nota é assinada pela Specialty Coffee Association (SCA). Vai de zero a 100 e mede dez aspectos do café. Por exemplo, o cheiro, a doçura e acidez.

Para ser considerado especial, tem de passar dos 80 pontos. Com a nota alta, ganharam vigor para se tornar fornecedores da Nespresso em 2011. De cada 10 sacas produzidas, três são vendidas para a empresa suíça.

No caso deles, a companhia é um cliente que agrega. Compra café e divide conhecimento. A companhia tem um programa chamado AAA, pelo qual estabelece com as fazendas uma série de práticas, desde o plantio até a colheita. O responsável por liderar o programa é Guilherme Amado.

Segundo ele, no escopo do AAA, metas não apenas de qualidade, mas também de sustentabilidade e produtividade. "Na sustentabilidade, nós trabalhamos aspectos sociais e ambientais nas fazendas, que vão desde cumprir a legislação trabalhista e a legislação de saúde e segurança que se chama NR 31, que é extremamente exigente, inclusive com o uso de EPI (equipamento de proteção individual)", diz Guilherme. Na parte ambiental, com novo Código Florestal, exigem áreas de preservação permanente.

O modelo é aplicado em 1.200 fazendas em Minas e São Paulo. O time de suporte é composto por 15 engenheiros-agrônomos. Em todo o mundo, são 100 mil fazendas, em 13 países. O Brasil é o maior fornecedor de café verde. Na região, só compram a variedade bourbon.

A operação é global, são 700 lojas em 70 países, e assim a empresa definiu variedades específicas para garantir fornecimento constante e uniformidade, afirma Guilherme. No Sul de Minas, por exemplo, a Nespresso só compra o bourbon.

"A mágica é comprar sempre da mesma fazenda, do mesmo produtor, da mesma região, ano após ano". Não há contrato de exclusividade com as fazendas. A empresa começou a comprar no Brasil em 2005. Paga 30% a 40% acima do valor de Mercado. Dinheiro na mão do produtor no ano posterior, antes da colheita seguinte.



Texto extraído de: https://www.oxereta.com/noticia-1567444493-de-onde-vem-o-cafe-das-capsulas
Fonte Imagem: https://www.oxereta.com/noticia-1567444493-de-onde-vem-o-cafe-das-capsulas

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

PESQUISA FUNDAMENTA PRIMEIRA INDICAÇÃO GEOGRÁFICA DE CAFÉ CANÉFORA DO MUNDO (DEZ/2019)

A valorização do terroir amazônico para cafés finos pode representar nova fase para a cafeicultura da região e do País



Rondônia avança no processo de reconhecimento para ter a primeira Indicação Geográfica – IG de café da espécie Coffea canephora (conilon e robusta) do mundo e, com a chancela da Global Coffee Plataform – GCP, pode também ter destaque mundial ao se tornar a primeira IG de cafés sustentáveis. 

A proposta de Indicação Geográfica Região Matas de Rondônia para Robustas Amazônicos pode consolidar o reconhecimento da qualidade sensorial dos cafés canéforas no Brasil e no mundo. “É uma grande quebra de paradigmas no mercado, provando que Rondônia, além da produtividade, também tem enorme potencial de qualidade em seus cafés”, destaca o consultor responsável pelo processo da IG em Rondônia, Aguinaldo Lima.

De acordo com pesquisadores da Embrapa Rondônia, os Robustas Amazônicos são o resultado de mais de quatro décadas de interação entre genética, ambiente e manejo. Possuem características físicas, químicas e sensoriais que podem ser consideradas distintas e únicas.  “Eles carregam seu diferencial no nome, pois são produzidos em terroir amazônico, que possui características que não são encontradas em outras regiões do País e do mundo”, afirma o pesquisador da Embrapa Rondônia, Enrique Alves. 

Ele explica que os cafeicultores rondonienses e, principalmente da região da IG Matas de Rondônia, aprenderam a valorizar o fruto do seu trabalho. Realizam colheitas cuidadosas e secagem lenta. Há ainda os que têm investido em técnicas de processamento via úmida e processos fermentativos diversos. São passos importantes e que tem feito a grande diferença na qualidade. 

Além disso, já adotaram a denominação ‘Robustas Amazônicos’ para seus cafés e a prática sustentável em suas lavouras.  “A Indicação Geográfica vem reconhecer o que os produtores de Rondônia já tem feito em campo e que a pesquisa fundamenta tecnicamente. O conjunto de características desses cafés, sua origem amazônica e a busca por uma produção com base na qualidade e sustentabilidade, tem tudo para transformar estes cafés nos componentes principais de bebidas finas, puros ou na forma de blends (misturas) finos”, conta Alves. 
 
O pesquisador caracteriza os Robustas Amazônicos como bebidas de sabor e aroma agradáveis, com doçura e acidez suaves, corpo aveludado e retrogosto marcante. “São cafés que têm características que lembram castanhas, chocolates, frutas secas e seu amargor, quando presente, lembra nibis de cacau”, detalha. Outros diferenciais dos cafés amazônicos, segundo Alves, são a peneira média alta – superior a 16 – e percentagem de cafeína mais baixa que o conilon padrão – varia de 1,4 a 1,8. 

São diversos os perfis de produtores em Rondônia: familiares, empresariais, indígenas e orgânicos. Eles convivem em um ambiente rico e variável de clima e solo. Segundo Aguinaldo Lima, com qualidade, volume e o cumprimento obrigatório de requisitos de sustentabilidade, os produtores terão a valorização de seus Robustas Amazônicos. “A agregação de valor trará motivação ainda maior ao crescimento da cafeicultura de Rondônia e benefícios ao agronegócio do café do Brasil”, conclui o consultor.


RECONHECIMENTO DO CAMPO PARA O CONSUMIDOR

No campo, a Indicação Geográfica dos Robustas Amazônicos pode fortalecer e valorizar o que os produtores já vêm realizando há alguns anos. Premiados pela qualidade e sustentabilidade dos cafés que produzem, eles já usam o diferencial e a denominação de Robustas Amazônicos para agregarem mais valor ao seu produto e, consequentemente, mais renda.

É o caso da família Bento, do município de Cacoal, campeões em concursos de qualidade e sustentabilidade, eles comercializam o próprio café, incluindo estes diferenciais na hora da venda. 

“Qualidade, sustentabilidade e o nome Robusta Amazônico agregam muito. Ao invés de vender a saca de 60 quilos de café a 260 reais no comércio, a gente torra e embala nosso robusta amazônico de qualidade e chega a conseguir em torno de 800 reais de lucro na saca. As pessoas querem conhecer esse café diferenciado da Amazônia”, conta Dione Bento.

Assim como esta família, outras mais estão seguindo o mesmo caminho e unindo forças por meio da Associação dos Cafeicultores da região da Indicação Geográfica dos Robustas Amazônicos – Caferon, marco fundamental para o processo de reconhecimento da IG. O presidente da Associação, Juan Travain, destaca a importância desse selo de reconhecimento. Para ele, a união das famílias para a produção de cafés com qualidade e sustentabilidade é fundamental para agregar valor e organizar os produtores. “Precisamos enxergar o café como um alimento, levar para a mesa das famílias brasileiras um produto melhor, mais saboroso e com o diferencial amazônico que temos aqui”, afirmou. 

A Caferon é composta por cafeicultores dos 15 municípios integrantes da IG, denominada como Matas de Rondônia: Alta Floresta d’Oeste, Cacoal, São Miguel do Guaporé, Nova Brasilândia d’Oeste, Ministro Andreazza, Alto Alegre dos Parecis, Novo Horizonte do Oeste, Seringueiras, Alvorada d’Oeste, Rolim de Moura, Espigão d’Oeste, Santa Luzia d’Oeste, Primavera de Rondônia, São Felipe d’Oeste e Castanheiras.

 
Um dos resultados imediatos no processo de IG é a identificação, o reconhecimento e a divulgação de atributos do café da região à sociedade e à indústria. A aproximação da indústria com a cadeia produtiva e sua organização traz inúmeros benefícios, como a percepção da qualidade e valor do café. Isso pode gerar novos produtos que estarão disponíveis aos consumidores. 

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel - ABICS, Pedro Guimarães Fernandes, o processo de Indicação Geográfica acontece em um momento muito apropriado, em que os consumidores querem saber de onde vêm os produtos que eles consomem, de que maneira está sendo produzido, se é sustentável e se agrega valor para a comunidade. “A IG vai abrir possibilidades de comercialização do café de Rondônia, incluindo o solúvel. A indústria de solúvel é o maior comprador dos cafés do estado e exporta para mais de 180 países. Isso abre possibilidades imensas de comercialização do café solúvel, cru e isso agrega valor e todos da cadeia ganham com isso”, conclui Pedro Fernandes.
 
A especialista em cafés especiais e mercado, Josiana Bernardes, que atua nos principais países produtores, confirma que a rastreabilidade do café é uma demanda mundial dos consumidores. “Um café da região amazônica causa bastante interesse, principalmente porque agrega à qualidade também a sustentabilidade. A Indicação Geográfica pode valorizar ainda mais estes cafés e abrir novos mercados”, ressalta Bernardes.

  
INDICAÇÃO GEOGRÁFICA: FUNDAMENTAÇÃO TÉCNICA

Uma IG é um processo de valorização de produtos que têm qualidade diferenciada em relação aos demais e com forte vínculo com as características genéticas, forma de produção e com o ambiente onde é produzido. O Robusta Amazônico é um exemplo desta combinação. Trata-se de um café cultivado na região amazônica, que possui clima, solo e outras variáveis diferentes de outras regiões. Este café foi geneticamente selecionado ao longo do tempo nestas condições e, aliada à forma de o produtor trabalhar no campo acaba por se tornar diferenciada. “A IG vem para reconhecer estas características e ajudar na evolução de toda a cadeia. É a valorização do produto e do trabalho dos cafeicultores”, destaca Enrique Alves 

A argumentação técnica para a proposição da IG Matas de Rondônia foi elaborada pela equipe da Embrapa Rondônia. Para subsidiar o trabalho, foram levantados dados que vão desde o produto e suas qualidades intrínsecas, caracterização edafoclimática (clima e solo), a metodologia, o manejo da produção e um grande levantamento sobre a notoriedade histórica da produção de café em Rondônia, especificamente a região dos 15 municípios que compõem a região delimitada para a IG. “O coração do processo de IG é a contribuição técnica da Embrapa Rondônia”, aponta o consultor Aguinaldo Lima. 

O estado está entre os três maiores produtores da espécie Coffea canephora do País e é o maior da região Norte. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de 2019 foi de, aproximadamente, 2,1 milhões de sacas em uma área de 62.729 hectares. Em uma década, a produtividade saltou de dez para 33 sacas por hectare, o que representa um crescimento de 230%. Isso, graças ao uso de tecnologias como irrigação, adubação e manejo adequado, além das novas variedades clonais, mais produtivas e que vêm substituindo as lavouras propagadas por sementes.
 

ASPECTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DA REGIÃO DA IG MATAS DE RONDÔNIA

A cafeicultura tem grande impacto social no estado. É uma das principais atividades agrícolas geradoras de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS para Rondônia, sendo realizada por 17.388 mil agricultores familiares, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses, 10.147 (58,4%) estão estabelecidos nos 15 municípios inseridos na região de abrangência da IG Matas de Rondônia, que possui um dos mais expressivos parques cafeeiros do país. Ao considerarmos as 54.381 pessoas ocupadas na cafeicultura no estado, 29.630 (54,5%), também estão nesta região. 


 
Estes 15 municípios possuem cerca de 17% da população e da extensão territorial do estado. Detêm mais de 60% das áreas de lavouras de café e gera 83% da produção de café de Rondônia. A relação dessa região com a atividade agropecuária é forte e todo o trabalho desenvolvido nessa região tem um impacto na vida de mais de 300 mil pessoas.

A cafeicultura em Rondônia é conduzida em módulos familiares, com média de quatro hectares plantados. A base de toda a mão de obra é familiar e, o processo de colheita é basicamente manual.  A exceção fica para um pequeno grupo de produtores, não superior a 30, que possui equipamentos para a colheita semimecanizada. Com relação à prática de irrigação, o percentual médio de lavouras irrigadas é maior no conjunto dos municípios situados no âmbito da região proposta para a IG (59,1%), a média do estado é de 50,9%. 

Além disso, os municípios da IG Matas de Rondônia possuem um índice de lavouras remanescentes, propagadas por meio de sementes, superior a 50%. “Não há outra região no País que ainda preserve tamanha diversidade genética em seus cafezais”, aponta o pesquisador Enrique Alves. Como resultado disso, ele explica que existe uma centena de clones que são produzidos e comercializados em toda região amazônica. 

Por falar em clones, apesar da diversidade, as lavouras comerciais estão vinculadas, principalmente, a cinco clones produzidos pelos próprios produtores, conhecidos pelos numerais 03, 05, 08, 25 e 66. 
 

ROBUSTAS AMAZÔNICOS NO CAMPO
 
Além de originarem bebidas finas e com sabores complexos e únicos, os pesquisadores da Embrapa Rondônia descrevem os Robustas Amazônicos como plantas vigorosas e produtivas. São conduzidas em multicaules e têm um sistema de poda programada que mantem as lavouras renovadas e diminui o efeito da bianualidade da produção. Como os cafés Robustas são plantas alógamas, possuem a necessidade da fecundação cruzada e, por isso, os cafeicultores cultivam linhas intercaladas de seis ou mais clones. 

Cada um desses clones possui a sua característica de porte, produção, tamanho de frutos e ciclo de maturação. São materiais genéticos responsivos aos tratos culturais, e, em lavouras bem cuidadas, não raro, ultrapassam 150 sacas por hectare. Os arranjos espaciais das lavouras variam bastante, os mais comuns são de 0,70 m a 1,50 m entre plantas e 2,50 m a 3,50 m entre linhas de plantio. O número de hastes produtivas por hectare varia de 8 a 12 mil.

 
CLIMA E SOLO DA REGIÃO

O clima da região da IG Matas de Rondônia caracteriza-se por apresentar uma pequena variação espacial e temporal da temperatura média do ar no decorrer do ano. O mesmo não ocorre em relação à pluviosidade, que apresenta variações consideráveis. A temperatura média anual entre 23 °C e 26 °C encontra-se dentro da faixa de apta para o cultivo de Coffea canephora. A precipitação média anual varia de 1.340 mm e 2.340 mm, com média de 1.906,5 mm. São duas estações bem definidas: a chuvosa, outubro a abril, em que se concentra quase 90% da precipitação anual, e a estação seca, com chuvas escassas, entre os meses de junho e agosto, precipitação mensal inferior a 50 milímetros. Os meses de maio e setembro são de transição. 

As terras aptas ao cultivo do café na região incluem àquelas com solos profundos, bem drenados, com boa capacidade de armazenamento de água e situados em paisagem de relevo de baixa a média declividade, facilitando a adoção de mecanização. A altitude média dos municípios que compõem a região varia de 180 a 400 metros. De forma geral, estão associadas aos solos da ordem dos Latossolos, Argissolos e Nitossolos, sendo os Argissolos predominantes.

 
INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

Serve para distinguir um produto ou serviço que apresenta características diferenciadas e que podem ser atribuídas à sua origem geográfica, configurando o reflexo do ambiente. Isto quer dizer que, além das condições naturais, os fatores humanos e culturais importam. 

O reconhecimento formal da IG no País e responsabilidade Geográfica cabe ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual – INPI, autarquia do governo federal. Por meio de diagnósticos e análises técnicas realizadas em Rondônia, pela Rede Nacional de Inovação e Produtividade – RENAPI, programa vinculado à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI, foi efetivada a contratação da empresa AJLima Consultoria em Agronegócios, para a realização de serviços técnicos de elaboração e aplicação de metodologia para a Indicação Geográfica  de região produtora de café em Rondônia, por meio do contrato 016/2018. 

Esta empresa está sob a liderança de Aguinaldo José de Lima. Ele esteve à frente da criação da 1ª região demarcada como produtora de café do Brasil, a Região do Cerrado Mineiro, sendo responsável pelo protocolo do primeiro pedido de reconhecimento de uma Identificação Geográfica no Brasil, em 1997.  Também atuou na Denominação de Origem (DO) da Região Cerrado Mineiro – única DO de café no Brasil, na IG Norte Pioneiro, no Paraná e na IG Oeste da Bahia.



Texto extraído de:
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/48762634/pesquisa-fundamenta-primeira-indicacao-geografica-de-cafe-canefora-do-mundo
Fonte Figuras:
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/48762634/pesquisa-fundamenta-primeira-indicacao-geografica-de-cafe-canefora-do-mundo
 
 

AS REGIÕES DE CAFÉ DEMARCADAS EM MINAS GERAIS

 



Fonte:
https://mco.org.br/as-regioes/



BSCA ATUALIZA MAPA DAS ORIGENS PRODUTORAS DE CAFÉ DO BRASIL (JUN/2019)

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) atualizou o mapa das origens produtoras do grão no país. A nova apresentação conta com 30 zonas do cinturão cafeeiro e traz como novidades a região do Caparaó, em processo de reconhecimento para Denominação de Origem (DO), a Indicação de Procedência do Oeste da Bahia e atualizações para as áreas de café robusta e conilon do Norte do Brasil.

O mapa foi elaborado pela BSCA após consulta a órgãos estaduais e federais, com a delimitação por município. “A atualização do cinturão cafeeiro do país é um passo extremamente importante em relação à promoção internacional dos cafés brasileiros. Além disso, desenvolvemos a geografia dos cafés do Brasil para que todo o mundo conheça a diversidade da nossa produção e, principalmente, valorize o café colhido em cada área”, revela Vanusia Nogueira, diretora da Associação.

Segundo ela, a atualização do mapa é fundamental para que o Brasil apresente ao mundo que tem capacidade para produzir uma grande diversidade de cafés, aliando quantidade à qualidade. "Além de mostrar que possuímos mais café em mais regiões, essa repaginação que fizemos destaca o desenvolvimento de novas origens e microrregiões cafeeiras no país, tanto para a variedade arábica, como Campo das Vertentes, em Minas Gerais, quanto para os cafés robusta e conilon, como as Matas de Rondônia, por exemplo", explica.

Vanusia lembra que o Brasil é um país com dimensões continentais, o que proporciona uma ampla diversidade de topografia e clima e faz com que os cafés de cada região tenham características diferenciadas e únicas, como inexiste em qualquer outra nação produtora. “A BSCA tem como 'norte' a promoção dos cafés nacionais e suas origens, destacando que cada qual possui atributos ímpares e são capazes de colher um produto que proporcione bebidas excepcionais e que estimule o consumo em todo o mundo”, conclui.


O MAPA

Com a denominação “Origens de Café no Brasil”, o mapa apresenta as 30 áreas de produção no país, sendo sete em Minas Gerais, seis em São Paulo, três na Bahia, duas no Espírito Santo, no Paraná e em Rondônia e uma no Rio de Janeiro, Ceará, Goiás, Pernambuco, Distrito Federal, Acre, Mato Grosso e na divisa entre Espírito Santo e Minas (Caparaó). Entre elas, estão incluídas a Denominação de Origem do Cerrado Mineiro e as Indicações de Procedência da Mantiqueira de Minas, Alta Mogiana, Região de Pinhal, Oeste da Bahia e do Norte Pioneiro do Paraná. O mapa e as especificações de cada uma das regiões produtoras (link: http://brazilcoffeenation.com.br/region/list) podem ser conferidos no site da BSCA.




Texto extraído de:
http://brazilcoffeenation.com.br/Not%C3%ADcias/BSCA-atualiza-mapa-origens-produtoras-cafe-brasil
Fonte Figura:
http://brazilcoffeenation.com.br/Not%C3%ADcias/BSCA-atualiza-mapa-origens-produtoras-cafe-brasil



MAPA DA PRODUÇÃO BRASILEIRA DE CAFÉS ESPECIAIS (2017)

 


Fonte Figura:
http://www.thecoffeetraveler.net/new-blog-3/tag/Ci%C3%AAncia+do+Caf%C3%A9


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O CAFÉ NOS TEMPOS DA PANDEMIA



Um misto de irritação, assombro e resignação permeiam meus dias desde meados de março, quando a OMS declarou pandemia por conta da disseminação do Covid-19, em 11 de março. Creio que o assombro e a resignação sejam sentimentos facilmente compreensíveis diante da situação mundial que vivemos. Mas por que irritação? Explico, ou reflito ainda sobre isso, a seguir:

O café especial, como categoria que se refere aos grãos de alta qualidade técnica, é estudado há menos do que 50 anos. No Brasil, apenas há pouco mais de 20 anos tomamos esses grãos. Nesse curto tempo de construção, o consumo desse produto tão novo vem crescendo exponencialmente a cada ano, o que significa um ritmo maravilhoso para um produto que, apesar do nome ser muito familiar, é sensorialmente muito diferente do café que costumamos tomar aqui há gerações. Fiquem comigo, vocês vão entender onde quero chegar.

Além dos sabores maravilhosos que encontramos numa xícara de café de qualidade, responsabilidade eco-social e rastreabilidade detalhada são condições sine qua non para que um café faça parte da categoria “especial”. Respeito ao produtor, cuidado com toda a cadeia, com o meio ambiente, qualidade sensorial e preços justos fazem parte da gênese do produto no mundo. Nascemos fazendo bonito na xícara e fora dela. Nascemos cuidando do ecossistema e das pessoas. Ou seja, nascemos já fazendo o que a pandemia, pelo jeito, nos impôs de reflexão sobre a relação com consumo,  com o alimento e com a saúde global.

Então, a irritação vem do fato de que já estávamos fazendo “o dever de casa” e lutando bravamente por um lugar no coração do consumidor e do mercado há apenas 20 anos aqui no país. E exatamente por sermos um produto jovem, tantos produtores, torrefações e cafeterias focadas em cafés especiais não sobreviverão à crise que nos assola, exatamente aqueles que já plantavam sementes tão necessárias à sustentabilidade da vida na terra. Alguns resistirão, outros chegarão, mas é difícil não achar uma judiação tudo isso. Continuo acreditando, por acompanhar a trajetória do café especial no Brasil há 20 anos, que investir em qualidade e tudo o que ela carrega é o único caminho viável para a maioria dos pequenos produtores no mundo.

Para mim, café especial é respeito. Respeito pelos requisitos técnicos, respeito à Natureza, às pessoas responsáveis pelas milhares de xícaras do mundo e, especialmente, respeito a um preço realmente justo para o pequeno produtor.

Compre do pequeno torrefador para que possamos continuar ajudando o pequeno produtor.


Texto extraído de: http://coffeelab.com.br/o-cafe-nos-tempos-da-pandemia/

Fonte Figura: https://paladar.estadao.com.br/blogs/ensei-neto/cafe-em-tempos-de-pandemia/


IBGE REDUZ ESTIMATIVA DE SAFRA DE CAFÉ DO BRASIL EM 2020 (JUN 2020)


SÃO PAULO (Reuters) - A produção de café do Brasil em 2020 foi estimada nesta terça-feira em 57,3 milhões de sacas de 60 kg, declínio de 0,7% em relação à previsão do mês anterior, afirmou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou uma menor safra do grão robusta no Espírito Santo.

A safra do maior produtor e exportador global, contudo, crescerá 14,7% na comparação com o ano anterior, quando a variedade do arábica teve seu ano de baixa produtividade, disse o IBGE em relatório.
Para o café arábica, a produção foi estimada em 42,5 milhões de sacas de 60 kg, crescimento de 0,5% em relação ao mês anterior e de 23% frente ao ano passado.

Em Minas Gerais, principal produtor brasileiro, que deve responder por 74,1% da produção em 2020, a estimativa da produção é de 31,5 milhões de sacas de 60 kg, alta de 27,4%.

Para o café robusta, também conhecido como conilon, a estimativa da produção nacional ficou em 14,8 milhões de sacas, declínio de 3,9% em relação ao mês anterior e de 4% frente a 2019.

A produção capixaba, que representa 67,4% do total nacional, encontra-se 5,7% menor, em decorrência do declínio de 6% no rendimento médio. As estimativas do IBGE em outros produtores importantes, como Rondônia e Bahia, não sofreram alterações.

A Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), no Espírito Santo, prevê uma quebra de até 30% na safra capixaba de conilon em relação ao ano anterior, além de também projetar queda na safra da Bahia, onde também possui cooperados.

"Para o Espírito Santo, a quebra está superando nossa expectativa... Com a colheita sendo efetivada, estamos calculando que a quebra seja de 28 a 30%", disse em nota divulgada nesta terça-feira o presidente da Cooabriel, Luiz Carlos Bastianello.

A cooperativa vê a queda de produção no Estado nordestino entre 5% e 10%, uma vez que a safra já havia recuado no anterior por causa da estiagem.

A Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) divulga sua projeção para a safra de café do Brasil em 18 de junho.



Texto extraído de: 
https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-economia/261305-ibge-reduz-estimativa-de-safra-de-cafe-do-brasil-em-2020-reuters.html#.XzqbLsBKi00

Fonte Figura: https://www.graogourmet.com/blog/graos-especiais-apontam-para-o-futuro-do-cafe/


 

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

ESTUDO TRAZ O PANORAMA DO MERCADO DE CAFÉS E CAFETERIAS NO BRASIL (JUL 2019)

 Relatório do SIS/Sebrae aborda perfil do consumidor, franquias e mercado premium do café

O café é um patrimônio brasileiro tão tradicional quanto o samba ou o futebol. Segundo a Associação Brasileira de Indústria de Café (ABIC), no país, 95% da população consome o produto, tanto em casa quanto em cafeterias e lanchonetes. Por isso, o SIS/Sebrae elaborou um relatório de inteligência com o objetivo de compreender o mercado de cafés e cafeterias. Entre outros tópicos, o estudo aborda temas como panorama de consumo, perfil do consumidor, franquias e o mercado de cafés premium e gourmet. 

De acordo com a Organização Internacional do Café (OIC), o Brasil é o segundo maior consumidor mundial da bebida, logo atrás dos Estados Unidos, que possui 14% da demanda mundial. Nosso país representa 13% dessa demanda, com 21 milhões de sacas ao ano. Entre 2017 e 2018 houve um crescimento de 4,8% no consumo, comparado com período anterior. A projeção é que haja um crescimento de 3,5% ao ano até 2021.

O produto brasileiro tem ótima fama internacionalmente. O mercado externo é de extrema importância para o Brasil: o país é o maior exportador de café do mundo. Na categoria  “Café não torrado, não descafeinado”, nossos maiores compradores são a Alemanha (17,71%), Estados Unidos (17,57%) e Itália (10,06%). Já na categoria “Café torrado, não descafeinado”, os maiores mercados são Estados Unidos (31,47%), Argentina (14,16%) e Japão (12,90%).

MERCADO DE CAFÉS ESPECIAIS 

Segundo estudo feito pela consultoria Euromonitor, o mercado brasileiro de café premium tem crescido de forma acelerada. Apesar disso, a maior parte do consumo doméstico ainda é de café tradicional. 

As características que diferenciam o produto premium são: sofisticação na produção, seleção qualificada dos grãos, origem do grão, produção com certificado de qualidade e maior proximidade com cafeicultores. Além disso, o café premium apresenta diferenciais em termos de fragrância, sabor, acidez, corpo e no conceito final do produto.

No Brasil, o consumo anual de café premium gira em torno de 70 mil toneladas, o que representa de 5% a 10% do consumo total no setor. Esse consumo cresce 15% ao ano, enquanto o de café tradicional aumenta 3,5% ao ano.

PERFIL DO PÚBLICO CONSUMIDOR

A tendência no crescimento do mercado de café premium se explica pelo aumento do número de consumidores que optam por produtos de maior qualidade. Esse público tem interesse em novos métodos de preparo, além de se preocupar com a origem do produto e a sustentabilidade na hora da produção. Eles são divididos em dois grupos:

– Coffee lovers – aqueles que vão às cafeterias e procuram um bom ambiente, com conceito por trás da entrega final do produto, e onde ocorrem trocas de experiências.

– Aqueles que consomem cafés especiais, porém compram através o varejo, seja em grandes redes de mercado, seja pela internet.

Dos consumidores de café premium, 20% pertencem à classe A, 50% à classe B e 30% à classe C. A maior parte desse público está situado na região sudeste (45%), seguida pelo nordeste (22%) e sul (17%). A maior parte dos consumidores está na faixa etária acima de 40 anos (40%). O restante tem entre 18 e 30 anos (35%) e entre 31 e 40 anos (25%).  

Quanto ao gênero, 50% é formado por homens e 50% por mulheres.

CENÁRIO DE CAFETERIAS E FRANQUIAS

O estudo do Euromonitor aponta também que existem 3,5 mil cafeterias no Brasil (porém esse número sobe para 13 mil se forem contabilizados bares, lanchonetes e padarias). Esses estabelecimentos são ambientes diferenciados, que oferecem produtos variados em conjunto com outras opções de alimentação. 

As cafeterias se dividem em: especializadas, não especializadas, premium, franquias de cafeterias, cafeteria brewery, cafeteria estilo série de TV e cafeterias veganas e sustentáveis. No Brasil, 66% das cafeterias são estabelecimentos independentes. Os outros 34% são franquias.

De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o mercado de franquias de cafés apresentou crescimento entre 2013 e 2016. Os pontos de vendas saltaram de 782 para 862 estabelecimentos no período. No Brasil existem 40 marcas franqueadas, sendo uma opção de investimento àqueles que pretendem ampliar a sua rede de forma mais rápida.


Texto extraído de: 

https://blog.sebrae-sc.com.br/cafe-cafeterias/

Fonte Figura: 

https://blog.sebrae-sc.com.br/cafe-cafeterias/


quarta-feira, 27 de março de 2019

CINCO EXEMPLOS DO RECONHECIMENTO INTERNACIONAL DO CAFÉ BRASILEIRO

O nome “Brazil” é cada vez mais comum nas embalagens e nas cartas de cafés ao redor do mundo
Durante muito tempo o café brasileiro foi considerado de baixa qualidade. Graças ao trabalho dos cafeicultores, organizações, pesquisadores e outros profissionais da cadeia produtiva, isso está mudando.

Para saber mais sobre as causas da má reputação do café nacional e como ela foi superada, leia o artigo Do Café Rio aos Microlotes Especiais.

A mudança fica evidente quando se observa o reconhecimentointernacional dos grãos brasileiros. Nosso país é o principal fornecedor de grandes empresas que adotam padrões elevados de qualidade.

Brasil: país do café

Ele também desponta como fornecedor de grãos para edições especiais das grandes e microlotes, vendidos por cafeterias de terceira onda. Para entender o que é a terceira onda do café, leia este relatório.

Você verá a seguir cinco exemplos do reconhecimento do café brasileiro no exterior.

1. Nespresso

Atualmente, o Brasil é o maior fornecedor da Nespresso. A companhia suíça é líder mundial em venda de café em cápsulas. Suas máquinas são comercializadas como equipamentos sofisticados para quem gosta de apreciar um bom café.

A empresa afirma que apenas 1% ou 2% de todo o café colhido no mundo atende aos seus parâmetros de qualidade.

O café brasileiro é utilizado em blends da Nespresso e na cápsula de origem única "Dulsão do Brasil"
Imagem: Nespresso

2. illycaffè

A tradicional torrefadora italiana também possui o Brasil como principal fornecedor. O café nacional é fundamental na composição do blend comercializado pela empresa. Nos anos 1990, a illycaffè foi a primeira torrefadora internacional a valorizar o grão brasileiro por sua qualidade.

Imagem: illycaffè




3. Lavazza

Recentemente, a Lavazza lançou uma nova linha de cafés, a iTierra!, que usa grãos certificados. Para o setor de hotéis e restaurantes, a torrefadora desenvolveu um blend 100% brasileiro, com selo Rainforest.

Imagem: Lavazza




4. Edições especiais

O café brasileiro tem sido utilizado em várias edições especiais das grandes torrefadoras. Elas são comercializadas no mundo todo e levam muitos consumidores a terem contato, pela primeira vez, com um café 100% brasileiro.

Imagem: Nespresso

A Nespresso lançou o “Cafezinho do Brasil”, um blend com grãos de Minas Gerais e Espírito Santo. Para as máquinas Nescafé Dolce Gusto, foi lançado o “Catuaí do Cerrado” que, como o nome já diz, foi desenvolvido com grãos da variedade Catuaí cultivados no Cerrado Mineiro.

Imagem: Nestlé

Por sua vez, a Starbucks lançou o “Brazil Nova Resende”, elaborado com grãos de 74 pequenos cafeicultores do município de Nova Resende, MG. A edição faz parte da linha Starbucks Reserve, que a companhia norte-americana utiliza para vender produtos de alta qualidade.


Imagem: Starbucks


5. Cafeterias de Terceira Onda

Estamos em um momento muito promissor para a qualidade do café. O consumidor entende cada vez mais sobre ela, e várias cafeterias se especializaram em garimpar cafés de altíssima qualidade, produzidos em pequenas quantidades. É a chamada “terceira onda do café”.

Microlotes produzidos em fazendas brasileiras já são encontrados em muitas cafeterias de terceira onda, espalhadas pelo mundo. Eles são comercializados com informações como o nome do produtor, a altitude da lavoura, variedade, tipo de secagem e outras.

Microlote Água Preta, produzido na Fazenda Santa Inês, MG, à venda na Intelligentsia, dos EUA

São lojas com elevado padrão de qualidade que vendem o café para consumidores sofisticados e exigentes. Nelas, os grãos brasileiros dividem espaço com outros, de origens reconhecidas há muito mais tempo.

Microlote do Sítio Canaã, pequena propriedade no município de Caconde, SP, à venda na Sample Coffee Roasters, da Austrália


Conclusão

O café brasileiro já conquistou grandes torrefadoras. O país tem capacidade para abastecer o mercado com quantidade, qualidade e consistência, o que é muito atrativo para empresas que compram grandes volumes.

Apesar de ainda não serem muito comuns, os microlotes brasileiros também estão ganhando seu espaço no mercado internacional.

Mesmo com toda essa evolução, a imagem do nosso café ainda é negativa para muitos. Mas ao invés de lamentar, várias organizações e empresários enxergaram uma oportunidade. Que outros se juntem a eles.


Fonte:
https://coffeeinsight.com.br/cinco-exemplos-do-reconhecimento-internacional-do-caf%C3%A9-brasileiro-39cf4393aadc