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domingo, 14 de abril de 2024

quarta-feira, 5 de julho de 2023

AS CLASSICAÇÕES BRASILEIRAS DE CAFÉS



Texto extraído de: 
https://www.tostati.com.br/blog/as-classificacoes-brasileiras-de-cafes/


PONTUAÇÃO DO CAFÉ: ENTENDA O QUE É ESSA CLASSIFICAÇÃO

Seja no café da manhã, seja no da tarde ou durante o dia, tomar um cafezinho é sempre bom. Melhor ainda é quando você pode unir doçura, acidez e harmonia na bebida escolhendo a pontuação de café correta.

Os cafés especiais que recebem essa pontuação específica passam por uma criteriosa avaliação de qualidade. Ela identifica diversos aspectos que tornam o sabor deles incrivelmente agradável.


Conheça mais sobre a SCA

Antes de falar um pouco mais sobre esses protocolos que determinam a categoria do café, é importante entender o que é a SCA (Specialty Coffee Association). A Associação de Cafés Especiais foi fundada em 1982, com o objetivo de promover debates e estabelecer padrões para avaliação de cafés especiais.

No mundo todo, muitas empresas buscam a aprovação dessa associação, que usa uma metodologia própria para classificar o café de forma objetiva. Para receber a avaliação adequada, todo o processo de fabricação do café, como ponto de torra, temperatura para degustação e água usada, é padronizado.


Protocolo SCA

Para ser considerado especial nos critérios da SCA, é necessário que o café receba uma nota entre 80 e 100 pontos.

A análise da SCA avalia principalmente os seguintes aspectos:

fragrância e aroma: avalia-se o cheiro do café moído quando está seco e depois de entrar em contato com a água quente;

sabor: o aspecto mais observado na análise sensorial, considerando intensidade, qualidade e complexidade;

finalização: sabe aquele sabor que fica depois de você beber seu cafezinho? O júri especializado segue as regras da SCA e pondera o sabor e a duração do gostinho do café na boca;

acidez: esse aspecto contribui para a doçura e a sensação de frescor da fruta, geralmente é sentido no primeiro gole;

corpo: a forma do líquido na boca pode ser tanto mais intensa quanto mais leve e apresenta pontuações específicas em cada percepção;

equilíbrio: essa parte avalia como todos os aspectos se completam ou se diferenciam um do outro;

doçura: ela surge a partir de alguns carboidratos presentes na fruta, proporcionando um sabor equilibrado e suave.

Além desses critérios do protocolo SCA citados acima, a associação avalia a ausência de defeitos no café, a uniformidade, o resultado global e os defeitos que interferem e prejudicam a qualidade da bebida.


Símbolo de qualidade

Quer saber como identificar os cafés com pontuação do SCA? Os cafés que seguem o critério de avaliação da SCA têm o número da sua pontuação impressa na embalagem. Com esse símbolo de qualidade, fica mais fácil para você identificar a pontuação do café e selecionar o tipo que mais atenda a seu gosto.




Texto extraído de: https://blog.coffeemais.com/pontuacao-de-cafe-entenda-o-que-e-essa-classificacao/
Fonte Imagem: https://blog.coffeemais.com/pontuacao-de-cafe-entenda-o-que-e-essa-classificacao/

domingo, 19 de junho de 2022

QUAIS SÃO AS DIFERENTES CERTIFICAÇÕES DO CAFÉ?


Quando você compra um produto, qual é o fator de desempate entre as opções, além do preço, é claro?
Bom, podemos dizer que depois do custo, o ponto principal é a qualidade do item.

Já que estamos gastando, que seja algo de uma boa procedência, certo?

Pois é, cada vez mais os consumidores vem se preocupando com detalhes como esse, além da procedência, de onde vem aquele produto, e isso inclui os cafés.

É por isso que as certificações nessa área, que garantem a qualidade de produção do item que você está consumindo, estão se tornando cada vez mais comuns.

O certificado tem como intuito garantir ao consumidor a origem da produção, práticas de cultivo e até o tipo de colheita pelo qual o grão de café passou.

Mas além da qualidade, esse selo também serve para informar o cliente que aquele item em questão teve uma fabricação, do início ao fim, mais sustentável, outro ponto que virou de interesse geral – ainda bem.


Quais são as categorias de certificação?


Café gourmet

Dentro desta categoria estão os cafés arábicas de altíssima qualidade. Trata-se de um grão sem defeitos e com características únicas.


Café de origem certificada

Já o café de origem certificada é aquele que está diretamente ligada a sua região de origem, ou seja, é o grão que conta com as características únicas do local onde é plantado.


Produto orgânico

Como o próprio nome dá a entender, é aquele produto que teve todo o seu cultivo livre de qualquer substância química ou tóxica.


Fair trade

Nesta categoria encontram-se todos os cafés produzidos por agricultores que se preocupam com as condições sociais e ambientais durante a produção do grão.


Certifica Minas



O principal objetivo do Certifica Minas é trabalhar boas ações dentro do plantio do café em Minas Gerais.

Criado em 2006, outro ponto trabalhado pela companhia é conseguir agregar o máximo de valor nos produtos com o intuito de fazer estes serem sucesso no mercado externo.


Quais são os principais selos de certificação?


Selo de pureza ABIC

A ABIC possui dois selos: o de qualidade e o de pureza. Este tem como intuito, como o próprio nome já diz, garantir a pureza dos grãos de café. Cerca de duas mil amostras são coletadas e analisadas todos os anos com a meta de monitorar as marcas constantemente.

Isso é feito para que as empresas que já possuem o selo não façam nenhum tipo de alteração em seus grãos.

Aliás, esse selo da ABIC é o único do mundo que avalia a qualidade tanto do café moído quanto do torrado. As outras certificações avaliam, apenas, o grão verde.


Selo de qualidade ABIC

Entre os principais selos de certificação, um dos mais importantes é o da ABIC.

Criada em 1989, esse certificado tem como intuito classificar a pureza do café, além de aumentar o consumo do item por meio da valorização das características únicas de cada grão.

Dentro desse selo, a associação classifica os cafés em quatro categorias: Gourmet, Superior, Extra Forte e Tradicional.



Selo cafés do Brasil



Podemos dizer que o selo do Cafés do Brasil tem um relação bem íntima com o país, isso porque a marca foi criada na Copa do Mundo de 1982, na Espanha.

Na época, o selo foi criado como um patrocinador do Instituto Brasileiro do Café (IBC) à CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Em 2000, o selo foi registrado como marca oficial.


Selo BSCA



Já com o selo ou certificação da Brazil Specialty Coffee Association (BSCA, que foi criada em 1991), a meta é valorizar os cafés produzidos no Brasil e oferecer, junto aos produtores, os melhores frutos para o mercado.

Além disso, essa certificação também serve para aprimorar técnicas e incentivar o produtor a investir em um plantio sustentável. Aliás, essa preocupação é tanta que a associação aborda com recorrência temas sociais, ambientais e econômicos.


Selo Orgânico



Apesar de itens orgânicos serem mais comuns atualmente, o Brasil conta com exportações desse tipo de café desde 1990.

Para receber esse selo, o café não pode ter nenhum tipo de adubo químico ou agrotóxico utilizado na produção do grão.

Ele tem como intuito garantir uma produção e, respectivamente, um consumo mais consciente, mais sustentável, oferecendo um item de qualidade para o cliente.


Rainforest AllianCe e UTZ



Outro certificado existente no mercado de café é o da Rainforest AllianCe Certified, que define padrões bem rigorosos de qualidade dentro das propriedades, tanto cafeeiras, quanto em regiões turísticas e com pecuária.

É por meio desse certificado que o consumidor sabe que toda a produção do café que ele está comprando foi baseada em práticas orgânicas.

Mas o selo não pensa apenas no consumidor, também existe uma preocupação com os produtores, e é por isso que esse certificado auxilia igualmente esses empreendedores a crescerem dentro da economia moderna.

Se você se deparar com um café com o selo da Rainforest, quer dizer que você está comprando um item que foi cultivado em um clima adequado, sempre respeitando o meio ambiente onde ocorre o plantio e, claro, diminuindo ao máximo os possíveis danos àquele local.

Em de 2018, a Rainforest juntou-se a UTZ Certified, com o intuito de ter um impacto nacional e internacional muito maior.

A UTZ é considerada um dos certificados mais respeitados no mundo. O selo trabalha para oferecer um cultivo e distribuição de cafés de forma responsável, garantindo total segurança em todos os processos de produção.

A companhia se baseia em duas principais ideologias: a origem do café e como ele foi exatamente produzido. Para isso, o selo criou uma espécie de programa que conta com um sistema de rastreamento, um tipo de pré-certificação, que garante a qualidade do grão desde a produção até a sua torra.

Esse rastreio por todo o processo do café dá ao consumidor a certeza de que está consumindo um produto totalmente certificado.

Outra prática muito legal dentro da UTZ é o treinamento que a companhia dá aos agricultores com o intuito de aprimorar esse processo, que acaba aumentando a qualidade e também o rendimento da produção.


4C


A 4C trabalha com padrões bem altos para garantir condições ideais, tanto econômicas quanto sociais e ambientais dentro da produção e do processamento do grão de café. Essas regras são usadas para garantir um plantio mais sustentável, justo e confiável.

Para que o produtor ganhe esse selo ele tem que seguir todas as regras impostas pela companhia, que se baseiam num plantio sustentável para o café verde.


Índice de Procedência

O selo da IP, Índice de Procedência, está relacionado com o local de origem do produto, seja país, estado, cidade ou mesmo região. Quando algum item tem essa marca quer dizer que ele se tornou famoso por sua tradição, seja como produto ou serviço.

Este selo no café quer dizer que determinada cidade se especializou para oferecer aos seus consumidores um item de qualidade e com traços únicos, em todos os sentidos. Por conta disso, o IP acaba agregando ainda mais valor aqueles grãos.

Para que o produtor possa ganhar esse selo ele precisa cumprir várias exigências, como ter uma pontuação mínima de cafés especiais e também se preocupar com a responsabilidade sócio-ambiental do plantio.

Atualmente, o Brasil detém quatro regiões que foram classificadas com IP. São elas:
Pinhal (SP);
Alta Mogiana (SP);
Oeste da Bahia;
Norte Pioneiro do Paraná.


Denominação de Origem

A Denominação de Origem é feita pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial, o INPI, e é comum que os cafés migrem do IP para o DO.

Para conseguir tal feito o fruto em questão tem que contar com características únicas ligadas a sua região de plantio, o que inclui o terroir, ou seja, solo, relevo, clima e altitude.

Além disso, o produtor precisa também possuir identidade e qualidade, assim como rastreabilidade do grão.

As normas são tão exigentes que apenas duas regiões brasileiras possuem esse selo:
Mantiqueira de Minas;
Cerrado Mineiro.


Cup of Excellence

O Cup of Excellence, como o próprio nome dá a entender, é uma competição. Esta é realizada com o intuito de reconhecer o trabalho dos produtores de café, em todo o mundo, e premiá-los por seus esforços.

Aqui no Brasil esse concurso é realizado pela BSCA, que tem o apoio da Apex e da ACE.

Para poder se inscrever – existem várias categorias – o agricultor precisa cultivar cafés do tipo Arábica.

E essa participação vai muito mais além de vender o concurso. Estando presente no Cup, o produtor consegue supervalorizar o seu produto, o que obviamente ajuda nas vendas.


Coffee of the Year

O Coffee of The Year é outro concurso que tem como intuito valorizar os grãos de café participantes. Este premia produtores tanto de Arábica quanto de Conilon.

Uma coisa legal do COTY é que além de valorizar o café, estes são provados por consumidores, que votam nos seus preferidos, elegendo os finalistas do concurso.


Fair Trade

A ideologia da Fair Trade ou Fairtrade trabalha em cima da ideia de um comércio solidário e justo baseado na relação que existe entre comerciante e consumidor.

Para isso, investiga-se os direitos e necessidades, tanto do agricultor quanto do consumidor final.


Conclusão

Para quem acha que café é brincadeira, deu para perceber que não só os consumidores, mas principalmente os produtores e o próprio mercado se preocupam em oferecer apenas produtos de qualidade para nós, clientes finais.



Texto extraído de: https://icafebr.com.br/curiosidades/diferentes-certificacoes-do-cafe/
Fonte Imagem: https://icafebr.com.br/curiosidades/diferentes-certificacoes-do-cafe/

segunda-feira, 30 de maio de 2022

REGIÕES CAFEEIRAS DO BRASIL

 

Rondônia
22. Rondônia
23. Matas de Rondônia

Ceará
27. Ceará

Goiás
28. Goiás

Pernambuco
29. Pernambuco

Distrito Federal
30. Planalto Central

Espírito Santo / Minas Gerais
31. Caparaó (Denominação de Origem)

Acre
32. Acre

Mato Grosso
33. Mato Grosso



Fonte Imagem: https://brazilcoffeenation.com.br/region/list


CAFÉ É O PRODUTO COM MAIOR NÚMERO DE INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS NO BRASIL (2021)




O café é o produto agrícola brasileiro com o maior número de registro de Indicações Geográficas (IG) no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Do total de 12 registros, oito são de Indicação de Procedência (IP) e quatro de Denominação de Origem (DO). Os produtos agrícolas perfazem a maioria das Indicações Geográficas Brasileiras. São 59 registros, dos 80 existentes até o momento.  

Dos quatro registros de IG emitidos pelo INPI, no ano de 2021, três são para cafés: Caparaó (ES e MG) e Montanhas do Espírito Santo (ES) de Denominação de Origem; e Espírito Santo (ES) de Indicação de Procedência. A obtenção desses registros exige caracterizações técnicas do produto e de sua região, trabalho executado pela pesquisa científica.


As duas modalidades de Indicação Geográfica (IG), a DO e a IP, previstas na Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), estão relacionadas à proteção do nome geográfico vinculado ao produto, que, no caso do Brasil, pode ser agrícola ou não. O termo "indicação geográfica" foi se firmando quando produtores, comerciantes e consumidores começaram a identificar que alguns produtos de determinados lugares apresentavam qualidades particulares, atribuíveis à sua origem geográfica, e começaram a denominá-los com o nome geográfico que indicava sua procedência.

A IP está ligada ao termo “savoir-faire”, ou seja, o saber fazer. Seria algo como o know-how, muito utilizado no mundo dos negócios para definir a habilidade ou conhecimento em uma área de atuação. E a DO requer a comprovação científica de que as condições geográficas do local, como solo, clima e topografia, garantem qualidades específicas a determinado produto ou serviço.


A primeira região produtora de café reconhecida foi a Região do Cerrado Mineiro, sendo a segunda IG brasileira, com o registro de Indicação de Procedência concedido pelo INPI em abril de 2005. Em 2011 foi a vez da Região da Serra da Mantiqueira, também em Minas Gerais, seguida pelo Norte Pioneiro do Paraná (2012), Alta Mogiana - SP (2013), Região do Pinhal – SP (2016), Oeste da Bahia – BA (2019), Campo das Vertentes e Região das Matas de Minas – MG, ambas em 2020.


As regiões do Cerrado Mineiro e da Mantiqueira de Minas tiveram seus registros de IP alterados para registro de Denominação de Origem, respectivamente em 2013 e 2020. Outras duas regiões fizeram solicitação de registro de IG junto ao INPI, Região de Garça – SP e Matas de Rondônia (RO), o que mostra o crescente interesse dos produtores de café pela distinção de seus produtos. Esse comportamento converge com o crescimento na procura por cafés especiais pelos consumidores brasileiros, um mercado já consolidado na Europa e em expansão em várias partes do mundo.

“Essa proteção e a visibilidade dada por uma IG permitem que os produtores desenvolvam ações de promoção dos seus produtos, com potencial de agregação de valor, podendo alcançar mercados específicos, movimentar o turismo e a gastronomia local, entre outros potenciais benefícios. Isso está diretamente relacionado ao desenvolvimento rural dessas regiões,” frisa o secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura (Mapa), Fernando Camargo. “Vale acrescentar que os produtos de IGs estão constantemente vinculados à tradição e cultura existentes no território,” lembra.

De acordo com o chefe-geral da Embrapa CaféAntonio Fernando Guerra, instituição que coordena o Consórcio Pesquisa Café, “o mercado de produtos com Indicação Geográfica, particularmente em relação ao café, encontra-se em crescimento e é muito exigente, não só quanto à qualidade e sabor da bebida, como também em que condições o café foi produzido, tanto nos aspectos agronômicos, ambientais e sociais”.


Por isso, de acordo com Guerra, as instituições do Consórcio Pesquisa Café têm apoiado produtores ao disponibilizar cultivares de café com potencial para produzir bebidas que atendam a esse mercado, ao desenvolver cultivares com resistência a pragas e doenças, com maior produtividade, além de sistemas de produção mais sustentáveis. “Pesquisadores estão atuando também nos fóruns que discutem a IG e acompanham de perto o processo, ajudando a garantir os parâmetros de qualidade e sustentabilidade do produto, sem perder de vista o terroir”, conclui.

“Cada região possui as suas características, as suas especificidades, o seu terroir que, naturalmente, gera cafés com perfis sensoriais únicos e particulares de cada região, com aromas, sabores e nuances característicos”, analisa Juliano Tarabal, superintendente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, que faz a gestão da IG Cafés do Cerrado Mineiro. “O Brasil é um país de dimensões continentais, com produção de café em vários estados, é impossível caracterizar o café brasileiro em torno de apenas uma característica, sem distingui-lo em regiões produtoras. A riqueza do café brasileiro está em sua diversidade e isso se traduz por meio das Regiões produtoras de café”, complementa.

Com a experiência de ter sido a primeira região produtora de Café com IG registrada, Tarabal conta que Cerrado Mineiro é hoje reconhecido pela organização do arranjo produtivo que leva em conta a governança, a rastreabilidade, o cooperativismo, o associativismo e o uso de tecnologia da cafeicultura brasileira. “Tudo isso trouxe fama, notoriedade e reconhecimento ao café da região, motivo pelo qual buscamos a indicação geográfica, o que gerou proteção, controle, promoção, sentimento de pertencimento dos produtores. Ela demarcou a área e proporcionou um posicionamento à região e seus cafeicultores e, hoje, a região é reconhecida no território nacional e internacional”, declara.

O diretor-presidente da Associação de Produtores de Cafés Especiais das Montanhas do Espírito Santo (Acemes), Rodrigo da Silva Dias, disse que com o reconhecimento da IG Café Montanhas do Espírito Santo na modalidade Denominação de Origem, os produtores da região tem a expectativa da abertura de novas oportunidades de mercado; uma maior agregação de valor ao produto café; maior reconhecimento de todos os esforços durante a produção do café especial; além de proteção da marca e do território/região. “Esse reconhecimento trás motivação aos produtores na busca da melhoria contínua da qualidade dos cafés especiais e sustentáveis produzidos na região”.

Produtor de café nas Montanhas do Espírito Santo, Gelson Bissoli, conta que há vinte anos começaram a trabalhar pela melhoria dos cafés no Espírito Santo. “Durante esse período percebemos que tínhamos verdadeiras joias nas mãos. Então começamos a busca pela valorização dos nossos cafés, uma vez que o mercado só nos trata como comodity. Formamos a Associação de Produtores e buscamos junto ao Sebrae apoio para obter esse reconhecimento de IG com denominação de origem. O objetivo é mostrar ao mundo que esses cafés produzidos aqui nas montanhas são diferentes de outros, uma vez que possuímos algumas particularidades”, afirma.

Presidente da Fecafés e da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha (Cooabriel), Luiz Carlos Bastianello, acredita que com a Indicação de Procedência recentemente obtida para o conilon do Espírito Santo será um divisor de águas para essa cultura. “A IG assegura uma qualidade mínima para o conilon, até então desconhecido no mundo pela sua qualidade, mas apenas como coadjuvante do arábica. A IG é a ferramenta que vem suprir essa demanda”. De acordo com ele existe uma expectativa muito boa por parte dos produtores – “principalmente porque estaremos negociando um produto com garantia de qualidade”.

Essa também a percepção do pesquisador voluntário do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e ex-chefe-geral da Embrapa Café Aymbiré Fonseca. Ele diz que a Indicação Geográfica permite ao consumidor ter a certeza de estar consumindo um café de qualidade superior. “No Brasil esses cafés são produzidos com critérios da pesquisa agropecuária e com os rigores de qualidade que os distinguem e que garantem as peculiaridades atribuídas aos mesmos”, ressalta.


Conquista com apoio da pesquisa


Para o secretário de Inovação do Mapa, Fernando Camargo, a pesquisa agropecuária tem papel importante para que os produtos agrícolas sejam reconhecidos por sua IG. “As pesquisas agropecuárias são vitais, pois além de serem promotoras de inovação e melhoria nos processos produtivos, são utilizadas para comprovar o vínculo existente entre os produtos e sua origem”. Ele disse que a obtenção da Denominação de Origem a pesquisa ajuda a comprovar que as qualidades ou características do produto se devem ao meio geográfico onde eles são produzidos, incluindo fatores naturais, como clima e relevo e fatores humanos, como as técnicas de produção utilizadas pelos produtores”.

A pesquisa também foi apontada como fundamental por Juliano Tarabal do Cerrado Mineiro. “foi pela pesquisa que chegamos até aqui e é ela que nos levará para o futuro. Hoje, por exemplo, temos um projeto pioneiro em pesquisa em novas cultivares de café em parceria com a Embrapa Café e Epamig, no âmbito do Consórcio Pesquisa Café, no qual implantamos, em 12 municípios distintos, 26 campos de pesquisa com 12 cultivares diferentes, avaliando diversos fatores como produtividade e resistência, mas também a qualidade de bebida nas diferentes microrregiões. Com isso, queremos dar aos cafeicultores a escolha da cultivar que melhor se adapta em cada microrregião. Este projeto irá gerar um Guia de Recomendação de cultivares para a cafeicultura do Cerrado Mineiro”, antecipa.

Em levantamento feito pela Coordenação de Indicação Geográfica de Produtos Agropecuários (CIG) do Mapa, com técnicos das Superintendências Federais de Agricultura (SFAs) nos estados, foram identificadas mais de 200 regiões potenciais no Brasil para uso de IG ou marca coletiva (MC), outro tipo de ferramenta de uso por uma coletividade com benefícios parecidos com os das IGs. “Tendo em vista o potencial de desenvolvimento rural da indicação geográfica, temos buscado apoiar e fomentar diretamente as regiões registradas ou com potencial para registro, prestando apoio técnico e promovendo capacitações”, informa Camargo. Esse levantamento pode ser acessado no site do Ministério.

Outro foco de atuação do Ministério da Agricultura tem sido a estruturação da política pública no País, articulando com instituições que lidam diretamente com a temática, a exemplo do Sebrae Nacional, Ministério da Economia e INPI, participando das discussões da Estratégia Nacional de Propriedade Intelectual (ENPI), e promovendo espaços de governança nos estados, apoiando a criação e funcionamento de Fóruns Estaduais de Indicação Geográfica e Marca Coletiva. Atualmente, existem oito desses fóruns em atuação: AM, PA, MA, BA, MG, ES, PR e RS.


Saiba mais...

Indicação de Procedência - De acordo com a Lei da Propriedade Industrial, considera-se Indicação de Procedência o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que se tenha tornado conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto, ou seja, remete ao nome do local que tenha estabelecido uma ótima reputação como centro produtor de café.
Denominação de Origem - A Denominação de Origem é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos, que lhes atribui reputação, valor intrínseco e identidade própria, além de os distinguir em relação aos seus similares disponíveis no mercado.

Para mais informações sobre Indicações Geográficas, acesse o portal do INPI e as listas de IP e DO concedidas pelo INPI, por meio dessa página.:
Confira as Análises e notícias da cafeicultura (Análises) divulgadas pelo Observatório do Café aqui.

 

Texto extraído de: 
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/62550507/cafe-e-o-produto-com-maior-numero-de-indicacoes-geograficas-no-brasil

Fonte Imagem: 
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/62550507/cafe-e-o-produto-com-maior-numero-de-indicacoes-geograficas-no-brasil


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