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terça-feira, 7 de maio de 2024

HISTÓRIA DO CAFÉ MINEIRO: UMA RELAÇÃO DE AFETO E CULTURA


Conheça a história do café mineiro e como ele chegou ao Brasil, conquistando o afeto e o paladar de apreciadores em todo o mundo.

A história do café mineiro é uma jornada fascinante que vai além das fronteiras do Estado de Minas Gerais e do Brasil. Esse pequeno grão, que se tornou mundialmente conhecido, tem raízes profundas na cultura brasileira, refletindo a paixão e o amor do povo pelo café.

Ah, antes de começar a contar a você a história do café aqui em Minas, um lembrete: a bebida deve ser apreciada com moderação. Isso significa estabelecer um limite diário, combinar o consumo com água e evitar degustar cafés no período da noite. Assim, você se previne de problemas relativos ao sono e ao bom funcionamento do organismo.

 

Como o café chegou ao Brasil e a Minas Gerais

A história do café no país remonta ao século XVIII, quando as primeiras mudas foram trazidas da Guiana Francesa e plantadas no norte do Estado do Pará. A planta se adaptou perfeitamente ao clima e ao solo brasileiros e começou a se espalhar por todo o país.

No entanto, foi em Minas Gerais que o café encontrou seu lar e prosperou. O estado se tornou uma referência na produção de café de alta qualidade e sabor inigualável. O ponto de virada da história do café mineiro ocorreu no início do século XIX, quando a cultura do café começou a ganhar terreno na região.

 

Como o café mineiro começou a se destacar?

Segundo o CCCMG (Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais), foi o desbravamento das matas, a exploração de novas terras e o incentivo de governantes da época que levaram ao plantio em larga escala do café em Minas Gerais. 

A região serrana e montanhosa de Minas Gerais, com suas características climáticas e de solo únicas, provou ser o local ideal para o cultivo do café. A região, caracterizada por altitudes variadas, temperaturas amenas e chuvas bem distribuídas ao longo do ano, possibilitou o desenvolvimento do café arábica de alta qualidade. 

À medida que o cultivo de café prosperava em Minas Gerais, a região ganhava destaque na produção do grão para a exportação. Isso levou ao estabelecimento de ferrovias e estradas de ferro que facilitaram o transporte do café das fazendas até os portos de exportação, tornando Minas Gerais uma potência na produção de café. 

 

A história do café mineiro: brasilidade e mineiridade

A relação do Brasil com a bebida extrapola o sabor especial. O café é um símbolo de hospitalidade, uma desculpa para encontros e uma tradição que atravessa gerações. É comum ser recebido com uma xícara de café em casas por todo o Brasil, um gesto que demonstra carinho e boas-vindas.

Em Minas Gerais, essa atitude é normalmente acompanhada de quitandas, muitas feitas com queijo de minas. O pão de queijo que leva em sua receita o queijo canastra é uma das estrelas da cozinha regional.

O café mineiro também traz uma diversidade de perfis de sabor que resulta das diferentes regiões de cultivo, das altitudes e dos processos de preparação. Café de montanha, café de cerrado e café de terras altas são apenas algumas das variedades produzidas por aqui e que têm destaque pelo mundo inteiro.

 

Texto extraído de: https://viverbem.unimedbh.com.br/qualidade-de-vida/historia-do-cafe-mineiro/
Fonte Imagem: https://viverbem.unimedbh.com.br/qualidade-de-vida/historia-do-cafe-mineiro/

sexta-feira, 20 de maio de 2022

ORIGEM DO CAFÉ NO BRASIL

Escravos trabalhando em um terreiro de café, em fotografia de George Leuzinger (1813-1892) de 1870

A origem do café no Brasil encontra-se no século XVIII. As primeiras mudas de café foram plantadas ainda pelos idos de 1720, na província do Pará. A pessoa que teria trazido as primeiras sementes do café para o Brasil foi Francisco de Melo Palheta, após viagem à Guiana Francesa. A partir daí o fruto foi disseminado por todo o litoral Brasileiro até chegar no Rio de Janeiro em 1760. Sua produção ganhou força no séc. XIX, tornando-se o produto de maior exportação do século e do século XX, devido à grande procura da Europa e dos EUA.

O café já era consumido desde a Antiguidade, quando os habitantes da Etiópia, na África, passaram a conhecer a planta. Depois disso, persas e árabes entraram em contato com esse hábito de consumo, passando o café a ser cultivado em várias partes do mundo. Alguns setores da sociedade europeia possivelmente passaram a beber café depois do século XVII, hábito que se expandiu rapidamente pelo continente.

Esse aumento do consumo do café na Europa e depois nos EUA explica até certo ponto o crescimento da produção do café no Brasil a partir do início do século XIX. As primeiras grandes lavouras de café surgiram na Baixada Fluminense e no Vale do rio Paraíba, nas províncias do Rio de Janeiro e de São Paulo.


O cultivo de café no Brasil fortaleceu-se da estrutura escravista do país, sendo incorporada ao sistema plantation, caracterizado basicamente pela monocultura voltada para a exportação, a mão de obra escrava e o cultivo em grandes latifúndios.

Produção essa que foi muito beneficiada pelas condições ambientais que o Brasil proporciona, como o solo, clima e da rota de transporte de minérios, com as terras desmatadas a introdução das roças foi mais fácil.


O solo e o clima da região favoreceram a produção do café, que se destinava a atender ao mercado consumidor da Europa e dos EUA. Os africanos escravizados formaram a força de trabalho para laborarem no cultivo, colheita e beneficiamento do café. O transporte para o porto do Rio de Janeiro, de onde inicialmente era exportado, era feito no lombo das mulas.

A colheita era feita manualmente e logo após os grãos eram colocados para secar em terreiros. Uma vez seco, retiravam-se os materiais que revestiam o grão através de monjolos, máquinas primitivas de madeira formadas por pilões socadores movidos a força d’água e enfim o café era transportado nos lombos das mulas para o porto do Rio de Janeiro, de onde era exportado.

A partir de 1837, o café tornou-se o principal produto de exportação do Brasil Império. Os grandes lucros decorrentes da exportação do café enriqueceram os grandes fazendeiros, os chamados “Barões do café”, e sustentaram financeiramente o Império brasileiro.

Um processo de modernização da sociedade também foi possível graças aos lucros conseguidos com a exportação do produto. Ferrovias foram construídas para transportar de forma mais rápida o café das fazendas para os portos, principalmente o Porto de Santos, em São Paulo.

Com o crescimento da produção as ferrovias foram implantadas para agilizar o processo de transporte para futura exportação e em 1837 a produção de açúcar foi superada pela de café, tornando os grandes latifundiários e produtores os “Barões do café” cada vez mais ricos. Nesse período também surgiram os comissários do café, homens que exerciam a função de intermediários entre os latifundiários e os exportadores pois controlavam a venda do produto, garantiam aos latifundiários acesso a créditos para a expansão da produção e também viabilizavam a compra de produtos importados.


Com as rendas do café, foi possível também urbanizar a cidade do Rio de Janeiro e São Paulo, bem como algumas cidades do interior paulista, como Campinas, além de custear inicialmente os capitais necessários ao processo de industrialização do país e criar as condições para o desenvolvimento do sistema bancário. O interior da província de São Paulo, na área conhecida à época como “Oeste Paulista”, foi o local de expansão da produção cafeeira após a decadência das lavouras do Vale do Paraíba. A existência da chamada “terra roxa”, muito fértil, garantiu o aumento da produção nessa região.

A produção do café dependeu intensamente da força de trabalho escravo. O tráfico de escravos entre a África e o Brasil intensificou-se, apesar das ações da Inglaterra para impedi-lo. Por outro lado, as rendas provenientes da produção e comercialização do café permitiram uma diversificação da economia urbana no Rio de Janeiro e São Paulo, surgindo novos grupos sociais, como operários e a chamada classe média.

O café foi a principal mercadoria da economia brasileira até a primeira metade do século XX, quando a intensificação da industrialização desbancou-o enquanto força econômica principal.

Você percebeu quanta história há por trás de um cafezinho?



Texto extraído de: 
https://escolakids.uol.com.br/historia/origem-do-cafe-no-brasil.htm
https://marcoffee.com.br/minuto-cafe-conheca-historia-cafe-brasil/

Fonte Imagem: 
https://escolakids.uol.com.br/historia/origem-do-cafe-no-brasil.htm
https://marcoffee.com.br/minuto-cafe-conheca-historia-cafe-brasil/


sábado, 30 de abril de 2022

TORRADOR DE CAFÉ: ARTEFATO MUITO PRESENTE NAS ROÇAS BRASILEIRAS

 


Torrador de café, uma das antiguidades muito utilizadas desde o Brasil Colônia, até meados de século XX; em diversas regiões do Brasil.

Ele era um utensílio muito presente nas cozinhas das nonas, que torravam o café no torrador, aquecido pelo fogo do fogão a lenha, que impregnava o ambiente, com o perfume dos grãos e com o forte cheiro da fumaça. Havia outras opções mais rudimentares que tinham o mesmo objetivo.

Após ficar aproximadamente 40 minutos no recipiente, os grãos eram resfriados e posteriormente moídos, em pequenas porções em moinhos manuais. O pó do café era colocado no mancebo, que recebia a água fervente adoçada com a tradicional rapadura.


O ponto ideal da torra do café se baseava na coloração da fumaça exalada e do odor característico dos grãos. O barulho incomodava; além de esquentar muito quem manipulava o artefato, mas era a garantia da bebida quente tão apreciada pelos brasileiros.


COMO ERA O TORRADOR DE CAFÉ?

O artefato era confeccionado de metal e madeira, em formato esférico, movido por uma manivela, que girava lentamente os grãos, em movimentos circulares, para evitar que eles ficassem queimados; além de garantir uma torra uniforme.

O recipiente esférico que tinha contato com o fogo, era ligado à manivela em aço, que ao final dela tinha uma proteção madeira, que o fazia girar. A proteção era de madeira para evitar o aquecimento; além da proteção das mãos de quem a movia.

O utensílio possuía uma haste, que servia para abri-lo para colocação dos grãos; além do fechamento da bola, com o objetivo de prender os grãos a serem torrados.

A bola tinha como sustentação uma panela redonda, sem fundo, para garantir que o fogo tivesse contato com a esfera que girava. A panela colocada na trempe do fogão era segurada por uma haste. Outra haste era ligada à esfera para movimentação, enquanto a da panela era segurada para mantê-la sobre a chama do fogo.

 

EVOLUÇÃO DO ARTEFATO

Os torradores de café passaram por diversas transformações até chegar ao modelo esférico tão utilizado no Brasil, que perdeu sua função sendo substituído por moedores elétricos e mais rápidos, que são encontrados nas modernas cafeterias.

Mas, independente de seu formato, ele ajudou muito na comercialização dos grãos e na preparação do cafezinho, que é uma das bebidas mais populares no Brasil e no mundo.


ONDE ENCONTRAR O TORRADOR DE CAFÉ?

O torrador de café atualmente é encontrado em museus da zona rural; ou em locais que têm o turismo rural como atrativo principal.
 

A IMPORTÂNCIA DO CAFÉ PARA O BRASIL

 A lavoura de café foi responsável pelo desenvolvimento do Brasil, de 1840 a 1889, sendo inicialmente responsabilidade dos escravos traficados para o Brasil. Eles plantavam, colhiam, lavavam, secavam e ensacavam os grãos.


Posteriormente, os imigrantes começaram a fazer o serviço nas grandes fazendas de café, cuja cultura impulsionou melhoria dos meios de transporte, abertura de rodovias, construção de estradas de ferros; além do surgimento de vilas que deram origem às grandes cidades.


Texto extraído de: https://www.coisasdaroca.com/coisas-antigas-da-roca/torrador-de-cafe.html
Fonte Imagem: https://www.coisasdaroca.com/coisas-antigas-da-roca/torrador-de-cafe.html

 

terça-feira, 29 de junho de 2021

História do Café


Este delicioso livro narra a trajetória de aventura e ousadia da mais saborosa e conhecida bebida negra em todo o mundo: o café. Desde sua descoberta, a Coffea arabica traçou novas rotas comerciais, criou espaços de sociabilidades até então inexistentes, estimulou movimentos revolucionários, inspirou a literatura e a música, desafiou monopólios consagrados e tornou-se o elixir do mundo moderno, consolidando as cafeterias como referência de convívio, debate e lazer. Com charme, elegância e bom humor, a historiadora Ana Luiza Martins conta a trajetória do café, das origens como planta exótica no Oriente à transformação em produto de consumo internacional. A autora analisa também como o café no Brasil transformou-se na semente que veio para ficar e marcar a nossa história. Mais do que uma atitude simpática de bom anfitrião, oferecer um café é proporcionar uma das mais prestigiosas formas de convívio social que nos é dado a conhecer. Um simples gole dessa bebida torna você, leitor, parte de uma imensa cadeia de produção, embalada em muita aventura e ousadia. Venha tomar uma xícara com a gente.

Geografia histórica do café no Vale do Rio Paraíba do Sul

 


Geografia histórica do café no Vale do Rio Paraíba do Sul traz reflexões, estudos e propostas de revitalização e sustentabilidade para a região do Vale do Paraíba. A obra percorre a história da passagem do café pelo Vale do Rio Paraíba mostrando tanto o olhar geográfico e histórico ambiental quanto os custos ecológicos e sociais acarretados no período.

O livro é fruto da disciplina Ecologia Histórica do café, ministrada no Programa de Pós-Graduação em Geografia da PUC-Rio. Nela foram feitos vários trabalhos de campo, sendo São José do Barreiro (interior de São Paulo) o verdadeiro centro de operações, onde foi observada a relação da região com o passado, em todas as suas dimensões.
A obra é organizada em quatro partes. A primeira é teórico-metodológica e apresenta alguns embasamentos para os estudos da paisagem. A segunda ocupa-se também da paisagem, mas leva em consideração, principalmente, a presença do café no século XIX. A terceira trata do paleoterritório do café, enfocando resultantes e perspectivas frente a um passado que desconsiderou os alicerces sociais e ecológicos desse empreendimento. Já a quarta e última parte apresenta propostas concretas para a realidade do Vale do Paraíba.

Pequena História do Café no Brasil

 


A obra de Afonso Taunay é, talvez, uma das mais volumosas da nossa tradição historiográfica. Seus textos mais famosos – História das Bandeiras Paulistas e História do Café no Brasil – totalizam mais de 20 volumes. Foi na década de 1920, durante as comemorações do bicentenário da introdução do café no Brasil, que o então diretor do Departamento Nacional do Café, Armando Vidal, pediu a Taunay para escrever uma história do café no país. Atendendo ao pedido, Taunay publicou em 1934 um pequeno livro chamado A propagação da cultura cafeeira, a que se seguiu a publicação, em 15 volumes, entre 1939 e 1943, da História do café no Brasil. Seguiu-se, por fim, a Pequena história do café no Brasil, obra desta coleção, que é uma síntese do conjunto maior.

Para acessar o livro na íntegra: https://fundar.org.br/public/bbb/livros/48

Império do café - A grande lavoura no Brasil 1850 a 1890

 


Neste volume da coleção História do Brasil em Documentos, cuja proposta parte da reprodução comentada de documentos de época - textos oficiais, cartas, letras de música, artigos de jornal e fotos, entre outros - para expor temas relevantes da vida brasileira com a máxima fidelidade, trata da introdução da cultura cafeeira no Brasil e suas consequências. A passagem do trabalho escravo para o trabalho livre; a queda da monarquia. As ferrovias e o desenvolvimento das cidades e das regiões cafeeiras. Documentos de fazendeiros, colonos e cronistas estrangeiros.




terça-feira, 25 de agosto de 2020

JUIZ DE FORA E SEU DESENVOLVIMENTO COM O 'OURO VERDE'

O período de maior crescimento de cidades, em toda a História do Brasil, corresponde à época do ouro em Minas Gerais, no início do século XVIII. Antes, era difícil a criação de uma rede urbana, pois havia restrito comércio colonial, uma pequena vida cultural e grandes dificuldades de comunicação e transporte entre as pessoas. 

Por volta do ano de 1703, foi construída uma passagem de circulação chamada "Caminho Novo"² a qual localizava-se à margem esquerda do rio Paraibuna, nada existia do lado direito do rio, somente mata fechada.

Garcia Paes Leme foi quem conseguiu, com sucesso, cumprir a difícil tarefa de abrir esta passagem a qual ligava a região das minas ao Rio de Janeiro, facilitando o transporte do ouro e evitando que este fosse contrabandeado e transportado por outros caminhos sem o pagamento dos altos tributos, que incidiam sobre toda extração. A abertura desse caminho contribuiu assim para que surgisse o povoado de Santo Antônio do Paraibuna. Mais tarde o povoado se tornaria a cidade de Juiz de Fora.

Às margens do Rio Paraibuna surgiram diversos ranchos, hospedarias e postos oficiais de registro e fiscalização de ouro, que era transportado em lombos de mulas. Em torno deles, aos poucos, criaram-se roças e povoados que na Zona da Mata mineira, deram origem a cidades como Borda do Campo (Barbacena), João Gomes (Santos Dumont) e Santo Antônio do Paraibuna (Juiz de Fora). 

O Caminho Novo passava pela Zona da Mata Mineira e, desta forma, permitiu maior circulação de pessoas pela região, que, anteriormente, era formada de mata fechada, habitada por poucos índios das tribos Coroados e Puris.

Às suas margens surgiram diversos postos oficiais de registro e fiscalização de ouro, que era transportado em lombos de mulas, dando origem às cidades de Barbacena e Matias Barbosa. Outros pequenos povoados foram surgindo em função de hospedarias e armazéns, ao longo do caminho, como o Santo Antônio do Paraibuna, que daria origem, posteriormente, à cidade de Juiz de Fora.

Nesta época, o Império passa a distribuir terras na região, para pessoas de origem nobre, denominada sesmarias, facilitando o povoamento e a formação de fazendas que, mais tarde, se especializariam na produção de café. Em 1853, a Vila de Santo Antônio do Paraibuna é elevada à categoria de cidade e, em 1865, ganha o nome de cidade do Juiz de Fora.

Este nome tão característico - Juiz de Fora - gera muitas dúvidas quanto a sua origem. Na verdade, o Juiz de Fora era um magistrado, do tempo colonial, nomeado pela Coroa Portuguesa, para atuar onde não havia Juiz de Direito. 

Alguns estudos indicam que um Juiz de Fora esteve de passagem na região e hospedou-se por algum tempo numa fazenda e que, mais tarde, próximo a ela, surgiria o povoado de Santo Antônio do Paraibuna.

Casa em que morou o "juiz de Fora"

Até 1808 Santo Antônio do Paraibuna não havia se desenvolvido. Nesta época, o Império passa a distribuir terras (sesmarias) na região para pessoas de origem nobre, facilitando o povoamento e a formação de fazendas que, mais tarde, se especializariam na produção de café.

Em 1850, as terras ao longo do rio Paraibuna (Santo Antônio do Paraibuna) foram elevadas à categoria de vila, emancipando-se de Barbacena e formando um município. A elevação à categoria de cidade ocorreu quinze anos depois, quando foi adotada a denominação de Juiz de Fora. 

O príncipe D. João VI, após ter recebido de Moçambique grande quantidade de sementes e mudas de café, convocou ao palácio real nobres, sesmeiros e proprietários da extensa região agrária, estimulando-os ao cultivo da rubiácea.

Nos remetendo à vila de Santo Antônio do Paraibuna, entre os convocados de sua majestade, estava o coronel de Milícias José Inácio Nogueira da Gama, possivelmente o maior latifundiário da região, proprietário da fazenda São Matheus.

O Cel. fez canteiros de café em sua fazenda e obteve grande sucesso, chegando a ter 22 anos mais tarde, 400 mil pés da planta. Localizada a 16 Km do centro da atual Juiz de fora a fazenda São Mateus é, provavelmente, a mais conhecida da região. Sua construção data o final do século XVIII. 

Confirmando o narrado na 1° parte, percebemos a vantagem da vinda de D. João VI ao Brasil, já que contribuiu para o desenvolvimento da região do Caminho Novo dos Campos das Gerais, tornando esta área, em pouco tempo, num dos pontos da mais alta importância política, econômica, cultural e social do centro sul do Brasil.

Santo Antônio do Paraibuna passa a vivenciar um processo de grande desenvolvimento econômico proporcionado pela agricultura cafeeira que se expandia pela Zona da Mata Mineira, dando origem a formação de outras várias fazendas.

Fato curioso é que para trabalhar no cultivo cafeeiro necessitava-se da mão de obra escrava e em Santo Antônio do Paraibuna por volta de 1855 existiam mais escravos que homens livres (quatro mil escravos para dois mil homens livres), numa média de cem escravos por fazenda. Em Minas Gerais se destacavam Santo Antônio do Paraibuna (Juiz de fora) e Leopoldina pela quantidade de escravos.

Outras fazendas ganharam destaque na região como: as fazendas Ribeirão das Rosas, Matosinhos, da Tapera, do Montebelo, da Cachoeira, Vista Alegre, Palmital, São Fidélis e a fazenda Passo da Pátria atualmente uma das poucas que recebem visitação. Localizada na Estrada Juiz de Fora-Bicas, BR 267 a aproximadamente 16 km do centro de Juiz de Fora.

Se destacou como grande produtora de café, sua construção é da segunda metade do século XVIII e ainda se mantém 100% original. Na senzala ficava um tronco utilizado para punir os escravos desobedientes, o gozado é que este tronco ficava logo abaixo da capela, em cima as pessoas rezavam e embaixo as mesmas maltratavam. A sede é cercada de muita terra e um grande terreiro de secagem de café. Mais de cem homens já trabalharam no local que, nos tempos áureos, tinha também um despolpador e um enorme galpão de armazenagem. Anualmente eram colhidas cerca de 14 a 20 mil arrobas de café.

Segundo a proprietária do local, engenheiros analisaram a fazenda e verificaram que os erros de construção são aceitos na engenharia dos tempos modernos. Interessante como conseguiram fazer uma construção bem feita se naqueles tempos não havia a tecnologia avançada!

Hoje como há 200 anos atrás pelo menos uma vez no mês a sede é aberta para a celebração de uma missa que reúne a comunidade local.

Na fazenda existe uma cachoeira chamada "Marimbondo", segundo a proprietária, no local havia muitos marimbondos, já que no passado a cachoeira era cercada por mata fechada. Atualmente a cachoeira por si só atrai visitantes.

Cabe destacar outras fazendas históricas do município, como a Fazenda Floresta e a fazenda Ribeirão das Rosas. Esta última erguida em 1752 pela família do inconfidente Domingos Fidal Barbosa, a segunda construção de Juiz de fora foi destaque na produção de café. A casa já abrigou D. Pedro I em suas viagens pelo Caminho Novo e serviu também como posto fiscal de ouro. Dizem que a estrada passava por debaixo da sede. O prédio é administrado pelo exército desde 1957 e foi tombado em 2001. Localiza-se na Estrada Ribeirão das Rosas, no bairro Barbosa Lage.

Já a Fazenda Floresta está, há mais de 150 anos nas mãos da família Assis. A sede começou a ser construída em 1850. A fazenda por muitos anos esteve voltada para a produção cafeeira. Na mesma época na fazenda se encontrava uma fábrica têxtil, construída por Teodorico de Assis.

Centenas de colonos, divididos entre as 160 casas ao longo da fazenda, se dividiam na produção de tecido. Ainda se encontram no local a antiga senzala, algumas das casas dos colonos e a tulha, onde era armazenado o café. Os terreiros de secagem também foram mantidos. No local encontra-se também em perfeito estado de conservação, uma máquina debulhadora de café datada de 1910. A fazenda Floresta foi visitada por pessoas ilustre entre elas o ex-presidente Getúlio Vargas e o ex-governador de Minas Gerais Olegário Maciel, em 1930.

Com o apogeu do café, a região de Santo Antônio do Paraibuna se desenvolveu a tal ponto que o primitivo Caminho Novo – que era um "arrastão" – precisava ser substituído por estradas de rodagem. O lombo de burro devia dar lugar a carros de transporte. 

Nesse sentido iniciou-se a estrada de rodagem "Estrada do Paraibuna", atual Avenida Barão do Rio Branco, cujo projeto é datado de 1836, sendo construída pelo engenheiro Henrique Fernando Halfeld, em convênio com o governo da província. Até o estabelecimento do contrato e o início da abertura da Estrada do Paraibuna. Nada existia do lado direito do rio Paraibuna, tudo se localizava no lado esquerdo, o lado do Morro da Boiada, hoje bairro Santo Antônio.

Avenida Rio Branco em 1928

Menos de trinta anos depois, com o objetivo de facilitar o escoamento do café, assim como o transporte de passageiros, foi inaugurada a estrada de rodagem União Indústria, em 1861. O evento contou com a presença de D. Pedro II e sua família, entre outros membros do governo imperial. 

Por iniciativa de Mariano Procópio, esta considerada a primeira via de transporte rodoviário do Brasil foi construída com o aproveitamento de vários trechos da Estrada do Paraibuna. Mariano Procópio construiu desvio do centro da cidade, ao atingir o largo do Riachuelo, mudando o rumo da estrada, traçando uma reta de 1km, hoje a Avenida Getúlio Vargas.

A Estrada União Indústria, possui 144 Km de Petrópolis a Juiz de fora, objetivou-se também encurtar a viagem entre a corte e a província de Minas. Para sua construção foram contratados engenheiros e técnicos alemães. Para essas pessoas, Mariano cria um núcleo colonial voltado para a produção de gêneros agrícolas, dando origem a colônia dom Pedro II, composta por 1162 imigrantes alemães. Essa colônia não conseguiu se manter por muito tempo, levando muitos colonos a abandonar suas terras e irem em direção à cidade, afim de trabalharem nas indústrias. 



Pouco tempo depois a cidade conheceria um tipo de transporte que começava a ser implantado país afora, o transporte ferroviário.



¹ O início do desenvolvimento do município de Juiz de fora se deu com a produção do café (ouro verde). 
² O caminho velho ligava a região das minas à Parati.



Fonte:
http://www.jfminas.com.br/portal/historia/juiz-de-fora-e-seu-desenvolvimento-com-o-ouro-verde
http://www.acessa.com/turismo/arquivo/pontosturisticos/2006/11/10-cidade/historia.php
Fonte das Figuras:
http://www.acessa.com/turismo/arquivo/pontosturisticos/2006/11/10-cidade/historia.php
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Avenida_Rio_Branco,_Juiz_de_Fora_(1928).JPG
http://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2014/07/ufjf-recebe-exposicao-sobre-estrada-uniao-e-industria.html



FERROVIAS DO CAFÉ

 

Colonos carregam sacas de café no trem - Ferrovia da Fazenda Chimborazo - Ribeirão Preto/SP

O desenvolvimento do Brasil esteve muito relacionado com a expansão das ferrovias pelo país. O fato aconteceu no momento em que o café se destacava como o produto mais importante do Brasil.

As ferrovias do café começaram a ser construídas durante a 2ª Revolução Industrial, no século XVIII. O objetivo da construção das ferrovias era aumentar a velocidade de escoamento de mercadorias para os consumidores.

O transporte ferroviário no Brasil cresceu graças ao trabalho de um inglês, chamado George Stephenson. Foi ele quem inventou e aprimorou a locomotiva a vapor, em 1814. Essa invenção revolucionou o sistema de transportes no mundo todo.

No Brasil, ingleses e norte-americanos foram contratados para projetar a construção das primeiras ferrovias. Irineu Evangelista de Sousa, o Visconde de Mauá, foi quem recebeu do Império, em 1852, a concessão para construir e explorar as ferrovias.

A primeira estrada de ferro projetada no Brasil foi pensada para ligar o Porto de Estrela, na Baía de Guanabara, à Raiz da Serra, na região de Petrópolis. Dessa forma, nasceu a Estrada de Ferro Mauá, primeira ferrovia do Brasil. Essa estrada de ferro foi inaugurada pelo imperador D. Pedro II em 30 de abril de 1854.

Em seguida, outras ferrovias foram construídas no Brasil. Em 1858, foram inauguradas a Recife-São Francisco e a D. Pedro II. Em 1860, foi a vez da ferrovia Bahia-São Francisco. Em 1967, o Brasil ganhou a Santos-Jundiaí; e em 1872, foi aberta a Companhia Paulista.

A expansão da malha ferroviária no Brasil esteve relacionada ao comércio do café. Com a construção das primeiras ferrovias, o imperador D. Pedro II desejava expandir a produção nacional do café.

As áreas cafeeiras de São Paulo e Rio de Janeiro foram as mais privilegiadas pelos investidores das ferrovias brasileiras. Nesse período, o café era o principal gênero de exportação do Brasil.

As ferrovias passavam pelas fazendas, cortando os cafezais

As ferrovias de São Paulo foram construídas pensando na rota para o porto de Santos e para o Rio de Janeiro. Em 1870, a criação das ferrovias Mogiana e Sorocabana contribuíram ainda mais para a expansão da cafeicultura do interior do Estado de São Paulo.

É possível dizer que a rede ferroviária do Brasil acompanhou a chamada "marcha do café" para o oeste. Depois da queda do império do café no país, as ferrovias passaram a ter menos investimentos.

Atualmente, a rede ferroviária não é ampliada e estimulada no Brasil. O país concentra o escoamento dos produtos e alimentos no transporte rodoviário.




Fonte:
http://www.grupoescolar.com/pesquisa/ferrovias-do-cafe.html
Fonte das Figuras:
http://www.vaporminimo.com.br/a-ferrovia-da-fazenda-chimborazo/
http://chavantesporliliaalonso.blogspot.com.br/2012/05/o-cafe.html



MUSEU DO CAFÉ PRÉDIO HISTÓRICO ONDE FUNCIONOU A BOLSA DO CAFÉ GUARDA A HISTÓRIA DA CULTURA QUE MUDOU O BRASIL

Aqui mora a história do café

Prédio histórico onde funcionou a bolsa do café guarda a história da cultura que mudou o Brasil

A casa dos barões: a fachada imponente era uma das marcas do prédio da bolsa, inaugurada em Santos, em 1922.

Um dos capítulos mais importantes da história do agronegócio brasileiro é guardado nas ruas estreitas do bucólico centro antigo da cidade de Santos, no litoral de São Paulo. É ali, mais precisamente na rua 15 de Março, que se encontra, encravado em uma esquina, um prédio antigo construído em 1922, dono de uma fachada imponente e arquitetura em estilo neoclássico.

Esse era o endereço da Bolsa de Comércio do Café, primeira bolsa de valores voltada para um produto agrícola no Brasil. Mais do que um edifício trata-se de um dos principais símbolos de uma época marcada pela pujança do café.

Passados quase 90 anos de sua inauguração, hoje o prédio abriga o Museu do Café e possibilita aos seus visitantes viajar para uma época em que a cafeicultura protagonizava o desenvolvimento do País. \"A Bolsa foi construída com o objetivo de organizar as exportações brasileiras\", explica Lineu da Costa Lima, historiador e presidente do Museu do Café.


GRÃO DE OURO: NA SALA DO PREGÃO, CORREDORES VENDIAM O PRODUTO BRASILEIRO PARA TODAS AS PARTES DO MUNDO 

No amplo salão central aconteciam os pregões. Dali, saíam quase 80% do volume total das exportações brasileiras, num tempo em que o Brasil detinha cerca de 60% de todo o consumo mundial do produto. \"O grão financiou a chegada das ferrovias e toda a industrialização da cidade\", diz Lima. Com a economia sustentada por essa cultura, os barões do café tinham, além de poder econômico, muito prestígio junto ao governo. Prova disso foram os anos da política \"café com leite\", em que os Estados de Minas Gerais e São Paulo, principais produtores do produto, se revezavam no governo.


Hoje, restaurado e tombado como patrimônio cultural, o edifício abriga exposições permanentes e temporárias, além de um acervo de fotos, documentos e utensílios do século passado. \"Os visitantes têm a chance de entender todo o desenvolvimento do comércio do café e do Porto de Santos\", ressalta Clara Versiani, diretora técnica do museu.


No prédio ainda é possível degustar alguns blends de café exclusivos. \"Temos aqui um dos pedaços mais importantes da história do País, que precisa ser preservado e apreciado\", conta Clara.



Fonte: 
http://revistacafeicultura.com.br/?mat=33066
Fonte das Figuras:
http://revistacafeicultura.com.br/?mat=33066
http://www.falasantos.com.br/conteudo.php?id=8353


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

HISTÓRIA DO CAFÉ: CRISE DE 1929 ACABA COM A ERA DE OURO DO CAFÉ NO BRASIL

 A produção cafeeira era responsável por cerca de 70% das exportações brasileiras - /ACERVO MUSEU DO CAFÉ/DIVULGAÇÃO/JC


A crise deflagrada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York em outubro de 1929 teve reflexos imediatos em praticamente todos os países. Seus efeitos se espalharam principalmente por duas vias: prejuízos no conectado sistema financeiro internacional e a redução do comércio global, tanto pela escalada do protecionismo quando pela redução de compras do mercado norte-americano, que era o maior do mundo.

O Brasil foi altamente afetado, devido ao seu caráter agroexportador. E, em 1929, o carro chefe da economia brasileira era o café. Na fase inicial da Depressão, o café representava cerca de 70% das exportações brasileiras, e os EUA eram nosso maior consumidor, comprando cerca de 80% da produção. "Em 1929, a receita em moeda estrangeira que o Brasil fazia era basicamente através do café", lembra Simão Davi Silber, professor sênior da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

A economia baseada na cultura cafeeira já tinha sintomas de problemas quando a crise surgiu. O elevado preço do café, que provocou entre 1920 e 1925 nova e acentuada expansão do plantio, fez com que, a partir de 1927, a oferta ultrapassasse a procura, iniciando-se a acumulação de estoques. A safra de 1927-1928 chegou a 27 milhões de sacas (quase o dobro da obtida seis anos antes), o que representou um excedente de 12 milhões de sacas sobre as exportações. Para restabelecer o equilíbrio entre a oferta e a procura e sustentar os preços, o Instituto do Café de São Paulo recorreu à compra dos excedentes. E a safra relativamente pequena de 1928-1929, conjugada com a expansão da procura mundial, ajudou a estabilizar os preços.

"Para proteger o café, o governo fazia aquisição dos excedentes, para vender em tempos mais propícios. Isso saia caro para o País, que tinha que fazer empréstimo externo para bancar essa política. Era a 'socialização dos prejuízos, para proteger o café, a sociedade pagava a conta", lembra o professor Pedro Fonseca, da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). "O governo conseguia administrar isso, pois tinha crédito no exterior. O que a crise veio fazer foi acabar com a possibilidade de financiamento externo", destaca.

No segundo trimestre de 1929, calculava-se que a safra de 1930-1931 estaria em torno de 30 milhões de sacas, o que indicava a necessidade de outra intervenção caso se desejasse manter os preços. No entanto, a simultaneidade da safra volumosa com a depressão econômica teve como conseqüência uma pressão baixista inusitada, fazendo com que o preço da saca do café, que era cotada a 200 mil réis, em janeiro de 1929, desabasse para 21 mil réis um ano depois, provocando falências de produtores, demissões de trabalhadores e redução do salário da mão-de-obra agrícola.

No plano político, a crise acabou dando suporte aos grupos que criticavam o governo federal, considerado muito influenciado pelos interesses dos cafeicultores paulistas. Apesar do candidato apoiado por São Paulo, Júlio Prestes, ter vencido a eleição de 1930, o agravamento das dificuldades econômicas gerou maiores condições de apoio à oposição. Com isso, a Revolução de 1930 é facilmente vitoriosa, e o governador do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas, é colocado no poder.


GETÚLIO VARGAS CRIA MEDIDAS RADICAIS PARA CONTER A RECESSÃO

Governo promoveu queima de estoques de café em na Baixada Santista em 1931 - MEMÓRIA SANTISTA/DIVULGAÇÃO/JC

Getúlio Vargas encontrou uma situação calamitosa. No quadriênio de 1927 a 1930, a receita total de exportação do Brasil elevou-se a US$ 422 milhões de dólares, tendo o café participado com 69%, ou US$ 293 milhões de dólares. De 1931 a 1934, a queda de preços fez com que a média da receita cafeeira fosse de US$ 156 milhões de dólares, pouco mais da metade do que fora atingido no quadriênio anterior. Outras exportações também sofreram com a crise, fazendo com que o total da receita de exportação baixasse para US$ 232 milhões de dólares, sendo que o café representou cerca de 67% desse total.

Uma das primeiras ações que o novo governo tomou foi uma intervenção ainda mais radical do que os governos anteriores. A fim de parar a pressão baixista nos preços, o governo compra 18 milhões de sacas de café. No entanto, ao contrário da República Velha, não vai estocá-las. Em junho de 1931, as sacas são queimadas na Baixada Santista, eliminando fisicamente os estoques. Essa medida seria repetida em 1938 e 1944, diante de novas baixas dos preços.

Além disso, o governo foi forçado a decretar uma moratória da dívida externa, que chegou a ser publicada na capa do jornal New York Times. O pagamento dos serviços da dívida por três anos seria novamente anunciada em 1937.

Outra medida que teve grande impacto foi a entrada do Brasil na guerra protecionista de vários países da época, através de política cambial. A moeda da época, o mil-réis, foi desvalorizada, tornando a importação de artigos estrangeiros proibitiva. "Essa depreciação vai ser um estímulo ao aumento da indústria nacional, a fim de suprir o mercado interno", lembra Silber, professor da FEA-USP. Grande parte dos produtos que vinham de fora passou a ser fabricados no País. Isso abriu caminho para o término da recessão no Brasil, em 1932, com o crescimento da indústria.

"A indústria já tinha começado a se desenvolver no Brasil, mas, a partir dos anos 1930, vamos começar um grande avanço industrial, com esse setor ganha espaço econômico e político", destaca Adalmir Marquetti, do Programa de Pós-Graduação em Economia da Pucrs. Dessa forma, no fim dos anos 1930, a produção industrial brasileira já era o dobro do que era em 1929, abrindo o caminho para o abandono da política concentrada no café e criando as condições para o crescimento econômico da segunda metade do século XX.

 

RECESSÃO DE 2014 FOI PIOR PARA A ECONOMIA DO BRASIL DO QUE A DE 1929

Apesar de ter sido a crise mais brutal da economia capitalista no século XX, o Brasil sofreu menos com a quebra da bolsa de Nova York em 1929 do que em outras ocasiões de recessão. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 2,1% e 3,3% em 1930 e 1931, respectivamente, em 1932 já registrava crescimento de 4,35% em 1933, seguido por altas de 8,9% e 9,2% em 1934 e 1935. Dessa forma, a economia do país conseguiu se recuperar em quatro anos.

Em comparação, após a crise de 2014, o PIB brasileiro caiu 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016. Com isso, os crescimentos de 1,1% registrados em 2017 e 2018 não conseguiram recuperar sequer as perdas do primeiro ano da crise. Se correta a previsão da pesquisa Focus do Banco Central, de crescimento de 0,88% em 2019 e de 2,0% em 2020, a economia brasileira só deverá se recuperar em 2021, sete anos após o início da crise. "Espantosamente, o efeito do crash de 1929 no Brasil foi muito menor do que a recessão de 2015/2016. A gente saiu muito mais rápido da Grande Depressão do que dessa última crise", lembra Simão Silber, da USP.



Texto extraído de:https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/economia/2019/10/709138-crise-acaba-com-era-de-ouro-do-cafe-no-brasil.html

Fonte Figuras:  https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/economia/2019/10/709138-crise-acaba-com-era-de-ouro-do-cafe-no-brasil.html



quarta-feira, 27 de março de 2019

HISTÓRIA DO BRASIL - ECONOMIA CAFEEIRA

Ao longo do século XIX, o café ganhou importância nas exportações brasileiras e se tornou o esteio da economia nacional. A partir de 1870, a produção cafeeira adquiriu caráter capitalista e modificou as relações sociais no Brasil


O desenvolvimento do café no Segundo Reinado

A economia brasileira, no século XVIII, atravessava um período de dificuldades provocadas pelo declínio da economia açucareira e da mineração. A produção de café, iniciada em meio a essa crise, representou a recuperação econômica e a inserção do Brasil no mercado mundial, nos moldes capitalistas.

Introduzida no Brasil no início do século XVIII, a cafeicultura ocupou inicialmente as províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. No século XIX, a produção chegou à província de São Paulo, primeiro no vale do Paraíba e, depois, na região denominada Oeste Paulista.

O vale do Paraíba fluminense e paulista viveu um período de opulência, em que os grandes proprietários de terras e escravos, que haviam recebido ou comprado títulos de nobreza do governo imperial, eram denominados “barões do café”. Cercavam-se de luxo, vivendo em imensas fazendas ornamentadas com objetos importados da Europa.

Regiões cafeeiras nos séculos XVIII e XIX

O mercado mundial do café se ampliava, na medida em que o produto deixava de ser um artigo de luxo para se incorporar à cultura e ao consumo cotidiano das populações em diversos lugares do mundo. A participação do café brasileiro no mercado mundial elevou-se de 20% na década de 1820 para mais de 50%, entre 1880 e 1889.

O vale do Paraíba, no entanto, deixou de ser a principal região produtora. Embora o clima fosse favorável e a localização geográfica facilitasse o escoamento da produção – graças aos portos da baía de Guanabara e aos portos do litoral sul (Parati, Angra dos Reis etc.) o cultivo extensivo e predatório causou o esgotamento do solo.

A partir de 1870, o declínio da cafeicultura no vale do Paraíba acentuou-se, e a produção se expandiu para o Oeste Paulista, inicialmente em tomo de Campinas e Ribeirão Preto, e depois, gradativamente, avançando para o Paraná. No Oeste Paulista, o solo de terra roxa era mais fértil que o do vale do Paraíba. A topografia também era mais favorável, permitindo o cultivo em grandes extensões contínuas de terra, em lugar das encostas de montes do vale do Paraíba.


O café e as novas relações de produção

Estruturada a princípio na grande propriedade agroexportadora e na mão-de-obra escrava, a economia cafeeira, a partir da segunda metade do século XIX, oassou a adotar progressivamente o trabalho livre.


O tráfico negreiro foi extinto em 1850, e a expansão da lavoura cafeeira no Oeste Paulista aumentava a necessidade de mão-de-obra. Com o objetivo de atrair imigrantes para o Brasil, o governo lançou campanhas na Europa, distribuindo folhetos que prometiam terra e fartura.



Os imigrantes europeus, como portugueses, alemães, espanhóis, suíços e italianos, começaram a chegar em grandes levas, alterando as relações de trabalho no Brasil. Ao mesmo tempo, a produção se modernizava e o transporte ferroviário substituía o transporte do produto em tropas de burros, permitindo o escoamento da produção do Oeste Paulista pelo porto de Santos.

O comércio exterior se dinamizou, com a exportação crescente de café e a importação de produtos franceses e ingleses para atender aos novos núcleos urbanos, estimulando o desenvolvimento do sistema bancário.


O café e o capital inglês

A expansão da cafeicultura brasileira deu-se no contexto da Segunda Revolução Industrial, desencadeada sobretudo na Inglaterra. Interessados em expandir seus mercados, os investidores ingleses aplicaram vultosos recursos no Brasil.

A influência da Inglaterra na economia brasileira vinha desde os tempos coloniais, e se ampliou quando a família real transferiu-se para o Brasil em 1808. Sob ameaça de invasão de Portugal pela França, os portugueses decidiram refugiar- -se no Brasil, contando com o apoio dos ingleses. Em retribuição, o rei dom João declarou o fim do monopólio português sobre o comércio colonial, permitindo o comércio direto dos ingleses com o Brasil.

No século XIX, o capital inglês tomou-se ainda mais presente na economia brasileira, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, com investimentos na construção de ferrovias, portos e no transporte urbano. A feição dos centros urbanos se modificou, contando com mais estabelecimentos comerciais, bancos, iluminação, telégrafos, um novo traçado das ruas e, já no final do século XIX, a presença de bondes elétricos, em substituição aos de tração animal.

A modernização, contudo, produziu contrastes sociais: as mansões dos barões do café e as melhorias urbanas conviviam com a proliferação dos cortiços.

Um dos grandes empresários brasileiros que se destacaram no processo de modernização do Brasil foi Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá, depois visconde de Mauá.


Fonte:
http://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/economia-cafeeira
Fonte da Figura:
http://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/economia-cafeeira