sábado, 25 de julho de 2020

SÉRIE DE POSTS NESCAFÉ #1: A ORIGEM DO NESCAFÉ

Iniciamos hoje a Série de Posts Nescafé que contará a história, a evolução da marca, propagandas, design e muito mais. Boa viagem ao tempo!


A história do Nescafé começou no início dos anos 30 no Brasil. Uma excessiva produção mundial de café originou uma descida acentuada da procura do produto no mercado internacional e consequente queda dos preços.

O Brasil era na altura o maior produtor de café e a produção excessiva criou no país uma crise profunda, chegando a ser destruídos, entre 1931 e 1938, cerca de 65 milhões de sacos de café.
Perante esta grave situação nacional, o governo brasileiro pediu a Louis Dapples, que na altura era o presidente da Nestlé, que iniciasse um processo de investigação que conseguisse criar uma forma de se conservar o café da mesma forma como a Nestlé já fazia com o leite em pó.

Durante sete anos Max Morgenthaler e Vernon Chapman orientaram um processo de intenso trabalho que culminou num produto em que o café havia sido misturado com hidratos de carbono, de forma a preservar o seu sabor e aroma, e ao qual bastava juntar água para ser transformado num delicioso café.

Em Abril de 1938 o novo produto foi testado na fábrica suíça da Nestlé e no ano seguinte, acabada a fase de testes com sucesso, foi lançado no mercado como o primeiro café solúvel do mundo. Teve um sucesso considerável e essa conquista fez com que chegasse rapidamente aos mercados de França, Reino Unido e Estados Unidos.

Chegada a Segunda Guerra Mundial a sua distribuição e divulgação na Europa ficou comprometida mas a sua expansão continuou no continente americano. Este facto acabou por vir a ser fundamental pois após os Estados Unidos acabarem por ter de entrar na guerra, devido ao ataque a Pearl Harbour, a rapidez e facilidade da preparação do Nescafé fez com que o exército americano o adoptasse como parte integrante das rações diárias dos soldados.

Por essa altura a produção de Nescafé da fábrica da Nestlé americana era toda exclusivamente para o exército americano, o que se traduzia em cerca de um milhão de caixas.

O fim da guerra e o aparecimento da televisão como meio de comunicação veio contribuir para a publicidade do produto o que levou ao surgimento de centenas de milhares de novos clientes, criando uma procura por Nescafé sem qualquer precedente.

No ano de 1952 na cidade de St. Menet, em França, o Nescafé começou a ser produzido com 100% de grãos torrados, sem qualquer outro aditivo, tendo chegado ao mercado dois anos depois como o primeiro café 100% solúvel em água.

Curiosamente, o país onde teve origem o Nescafé, o Brasil, apenas o recebeu no seu mercado em 1953, ou seja, 15 anos depois da sua criação. Este enorme atraso deveu-se exclusivamente à enorme pressão que os produtores de café torrado e moído fizeram contra a sua entrada. Mas ficou provada a excelência da qualidade do Nescafé pois nessa década as vendas triplicaram o que tornou o Nescafé o produto mais valorizado dentro da Nestlé.

Em 1961 as originais latas foram substituídas pelos frascos de vidro com tampa vermelha e nos anos de 1966 e 1967 o processo de fabrico foi refinado usando-se sistemas avançados de desidratação e congelamento para preservar o aroma, bem como o sistema de aglomeração que permitiu fazer o Nescafé em pequenos grânulos, melhorando assim a sua solubilidade com a água.

Desde então o Nescafé tornou-se num produto de excelência no meio dos seus consumidores, culminando em 2006 com o lançamento da linha Dolce Gusto, constituído por máquinas de bebidas com recurso a cápsulas, proporcionando sabores como o café lungo, o café expresso, o café moka, o cappuccino, o latte macchiato, o chococino e diversas outras variantes.



Desta vez o Brasil foi o primeiro país da América do Sul a receber o produto, seguido em 2011 pela Argentina. O sucesso foi estrondoso e actualmente o sistema Nescafé Dolce Gusto é líder de mercado em mais de 20 países.

Curiosidades:
– a cada segundo são consumidas cerca de 3.000 doses de Nescafé no mundo, o que o faz ser o café solúvel mais consumido no mundo.
– o nome “Nescafé” deriva da junção das três primeiras letras da marca “Nestlé” com a palavra “Café”.
– na Austrália o Nescafé Classic é conhecido como Nescafé Blend 43. Isto deve-se a um simples facto: são necessários 43 grãos de café para fazer uma dose de Nescafé.


Texto extraído de:
http://origemdascoisas.com/a-origem-do-nescafe/




sábado, 11 de julho de 2020

A TERCEIRA ONDA DO CAFÉ DEPOIS DA NESTLÉ


O nicho das cafeterias independentes está diante de mudanças profundas.

Fonte - Extraído de:
https://coffeeinsight.com.br/a-terceira-onda-do-caf%C3%A9-depois-da-nestl%C3%A9-7cbbcda45332


O que acontece quando um mercado de nicho, construído por pequenas empresas e caracterizado por produtos artesanais, desperta o interesse de companhias multinacionais ávidas por crescimento?

A terceira onda do café passa por isso. O nicho, que há pouco tempo era exclusivo de cafeterias independentes e pequenas redes de lojas, entrou no radar de grandes empresas como Starbucks, JAB Holding e, agora, Nestlé.

A companhia suíça anunciou a compra da Blue Bottle, uma das pioneiras da terceira onda do café nos EUA. A aquisição faz parte de uma estratégia da Nestlé para superar os resultados fracos das suas vendas nos últimos tempos.


Cafeterias de terceira onda: nicho em rápida expansão.


A Nestlé é líder mundial em solúvel (Nescafé) e cápsulas (Nespresso e Dolce Gusto). No entanto, as margens caíram e as vendas já não crescem tanto. Os acionistas estão insatisfeitos com isso.

A empresa aposta em nichos que estão em alta para reverter a situação. Um dia antes de comprar a Blue Bottle, a Nestlé anunciou a aquisição da Sweet Earth, fabricante de alimentos vegetarianos com sede na Califórnia, EUA, que cresce dois dígitos por ano.

Feitas essas considerações, duas questões importantes aparecem: primeiro, como será o relacionamento entre a Blue Bottle e a Nestlé? Além disso, qual o impacto dessa aquisição para a terceira onda do café? Ambas são discutidas a seguir.

Torrefadora da Blue Bottle em Oakland, Califórina. Fonte: Blue Bottle.


Artesanal e industrial: um blend difícil

O segmento de cafeterias pode ser dividido quanto ao tamanho dos empreendimentos em dois tipos: a) cafeterias independentes e pequenas redes de lojas; e b) grandes redes. É interessante notar que os consumidores mais fiéis ao tipo a parecem não gostar dos estabelecimentos do tipo b.

As lojas do tipo a oferecem cafés de altíssima qualidade, obtidos a partir de microlotes selecionados, com torra cuidadosa e preparo em diferentes métodos. Por serem empresas pequenas ou médias, elas atraem a simpatia de pessoas que, por inúmeras razões, não gostam das grandes.

A repercussão da notícia nas redes sociais parece confirmar isso: muitos comentários negativos. Clientes da Blue Bottle temem que, para atender os interesses dos acionistas, a empresa adote uma série de medidas que irão prejudicar a qualidade do produto final, o café.

Muitos consumidore preferem as cafeterias independentes às grandes redes.

Para evitar isso, a melhor estratégia para a Nestlé é manter a Blue Bottle da maneira como ela é, uma empresa com foco em cafés de alta qualidade e operando com certa independência.

Ao que tudo indica, isso será feito. A Nestlé já anunciou que a Blue Bottle permanecerá como uma operação independente, liderada pelo seu fundador, James Freeman.

Também é importante que a marca Blue Bottle não seja associada com as marcas tradicionais da Nestlé, já que são mercados completamente distintos. Ou seja, nada de sachês de Nescafé ou máquinas Nespresso à venda nas cafeterias. Nesse caso, o blend não fica bom.

Com a visão do seu fundador e os recursos financeiros da Nestlé, as perspectivas de crescimento para a Blue Bottle são bastante otimistas.

 As cápsulas Nespresso não combinam com a proposta da Blue Bottle.


Locais x multinacionais

A terceira onda nasceu e cresceu com cafeterias independentes. No entanto, a tendência atual é a formação de redes com centenas de lojas atuando no segmento. A Starbucks planeja ter mil lojas Reserve, um novo conceito de estabelecimento alinhado com a proposta da terceira onda.

A JAB Holding, por meio da Peet’s Coffee & Tea, pode impulsionar os negócios da Intelligentsia e da Stumptown, duas redes que também foram precursoras da terceira onda nos EUA. E com os recursos da Nestlé, a Blue Bottle pode chegar a mais de duzentas lojas em pouco tempo.

Considerando a cadeia do café como um todo, essa expansão é uma boa notícia. Ela significa que mais consumidores terão acesso aos cafés especiais, com aumento da demanda. Empresas que hoje estão na segunda onda talvez tenham que aumentar a qualidade do café utilizado. Haverá muitas oportunidades para baristas qualificados e fabricantes de equipamentos.

O crescimento da terceira onda apresenta oportunidades.


Do ponto de vista das cafeterias independentes, o mercado ficará mais disputado. Para elas, uma loja McCafé, ou Dunkin’ Donuts, na mesma vizinhança não é uma ameaça. Mas uma Blue Bottle já representa uma disputa direta pelo mesmo perfil de consumidor.

Lojas independentes sempre terão o seu público fiel, mas será preciso encontrar novos diferenciais. Quando todo mundo trabalha com microlotes e prepara café numa Chemex, é hora de inovar. Somente o tempo mostrará quais inovações surgirão entre as cafeterias independentes.

Conclusões

A mudança mais evidente é o desenvolvimento do nicho, proporcionado pela injeção de capital das grandes empresas. Resta saber se, no longo prazo, as redes de cafeterias comandadas por elas vão permanecer fieis às características da terceira onda.

Para as lojas independentes, a concorrência será maior, o que pode levar ao surgimento de inovações na busca por diferenciação. Essa evolução das cafeterias independentes pode dar origem a uma nova onda do café.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

CAFÉ DE FORMAS DIFERENTES


Cinco diferentes tipos de extração e suas influências no sabor do café
 Escrito por Cesar Adames



O café surgiu por volta do ano 1.000 envolto na lenda de um pastor de cabras da Etiópia que levou até um monge conhecido os frutos de uma planta que deixava seu rebanho mais disposto quando o ingeriam. O monge fez uma infusão com os grãos e percebeu que a bebida lhe ajudava a ficar mais tempo acordado durante suas meditações.


Se a história acima é verdade ou não, o que mais importa é que o café, desde então, ganhou o mundo. Pouca gente sabe, mas o café é a segunda bebida mais consumida depois da água. Um dos seus diferenciais são as inúmeras formas de extração que podem resultar em bebidas totalmente diferentes, mesmo quando utilizamos a mesma variedade e marca de café.


Atualmente existem mais de 10 maneiras de preparar um bom café. Ele pode ser obtido através de filtro de papel, de pano, da prensa francesa, Moka, Ibrik, Hario V60, Chemex, Aeropress, Clever, Soft Brew, Handspresso, entre outros. Como eles se diferenciam?

Cada tipo de extração faz com que os sabores e aromas da bebida variem. Para compreender essas sutilezas, Cleia Junqueira, coordenadora e instrutora dos cursos de café do Centro de Preparação de Café do Sindicafé-SP preparou a bebida de cinco formas distintas: com coador de pano, filtro de papel, cafeteira italiana, prensa francesa e máquina de expresso. O café escolhido para os cinco tipos de preparo foi da categoria gourmet da região Mogiana Paulista, variedade Bourbon Amarelo com selo da ABIC (Associação Brasileira da Industria de Café).


Vale lembrar que o café gourmet é elaborado apenas com grãos 100% Arábica e passa por diversos testes no PQC (Programa de Qualidade do Café) para só receber o selo se tiver notas de 7,3 a 10.  Esse tipo de café vem ganhando espaço nas prateleiras de lojas especializadas e de alguns supermercados e pode ser encontrado de diferentes marcas, mas sempre com o selo da ABIC.



COADOR DE PANO


É a mais tradicional forma de fazer café

Não se sabe quando surgiu e quem foi o primeiro a utilizar essa forma de extração de café, mas até hoje ela é a mais tradicional nas casas, bares e padarias. O método é muito simples: coloca-se o pó no coador e depois despeja-se água quente normalmente filtando para dentro de um bule. Essa maneira de fazer tem como pontos positivos a facilidade e rapidez, mas é importante ter cuidado com o tipo de pano e por quantas vezes ele será utilizado.

Moagem: fina, tipo açúcar refinado.

Resultado: Bebida com pouco corpo e retrogosto com notas de chocolate, baunilha, caramelo e avelã, e acidez leve.

Dica de preparo: use 50 gramas para 500 ml de água. A quantidade de café no coador de pano é maior do que a do filtro de papel por conta da trama do tecido que faz uma extração de café mais rápida.



FILTRO DE PAPEL

O filtro de papel foi criado em 8 de julho de 1908 na Alemanha por uma dona de casa chamada Melitta Bentz

Foi criado em 8 de julho de 1908 na Alemanha por uma dona de casa chamada Melitta Bentz. Depois de várias reclamações de seu marido devido à qualidade do café que preparava, ela notou que o problema eram os resíduos de café acumulados nos preparos anteriores em coador de pano. Para resolver o problema, ela recortou um pedaço redondo de mata-borrão e cobriu o fundo de uma caneca de latão, em que fez vários furos. O resultado foi o primeiro filtro de papel do mundo.
Moagem: fina, tipo açúcar refinado.

Resultado final: Bebida com pouco corpo e retrogosto com notas de chocolate, baunilha, caramelo e avelã, e acidez cítrica

Dica de preparo: 40 gramas para 500 ml de água.



CAFETEIRA ITALIANA OU MOKA


Cafeteira italiana ou Moka é uma das formas preferidas de se fazer café na Europa

Foi a precursora das máquinas de café expresso, surgiu na Itália de uma adaptação de um bule. Ainda é uma das formas preferidas de se fazer café em casa na Europa. O processo de preparo é bem simples. Na parte de baixo da cafeteira, coloca-se água e, na parte de cima, em um recipiente furado, o café. Depois, a parte de cima é rosqueada e a cafeteira, colocada no fogo. Quando a água entra em ebulição, passa pelo pó e o líquido que sobe já está pronto e fica armazenado na parte superior.
Moagem: média/grossa, tipo açúcar cristal.

Resultado final: Bebida bem encorpada e retrogosto com leve amargor e notas de chocolate, baunilha e caramelo, e pouca acidez

Dica de preparo: 30 gramas para seis xícaras. No mercado, é possível encontrar cafeteiras italianas para inúmeras quantidades de cafés.



CAFETEIRA FRANCESA OU FRENCH PRESS

Cafeteria francesa ou French Press surgiu em 1852, mas foi registrada mais tarde por um italiano

Surgiu nas cozinhas francesas em 1852, mas só foi registrada em 1929 pelo designer italiano Attilio Calimani. Seu principal apelo é a não utilização de energia elétrica ou filtros de papel. Por muito tempo, foi considerada artigo de luxo devido ao seu acabamento. Atualmente, é possível encontrar inúmeros modelos que atendem a todos os bolsos. O processo de elaboração do café com esse tipo de cafeteira consiste em colocar o pó no fundo e misturar com água quente, deixando a mistura descansar por alguns minutos. Depois, é só empurrar o êmbolo para baixo para que o café seja filtrado.
Moagem: grossa, tipo flor de sal.

Resultado final: Bebida bem encorpada e retrogosto de chocolate, baunilha, caramelo, avelã e nozes. O mais aromático dos cinco. Leve acidez cítrica.

Dica de preparo: 40 gramas para 500 ml de água. É importante deixar o café em contato com a água por quatro minutos antes de iniciar a extração.



MÁQUINA DE ESPRESSO

A primeira máquina de café expresso do mundo surgiu em 1822

A primeira máquina de café espresso do mundo surgiu em 1822, como um protótipo, mas somente em 1855 é que ela foi apresentada em Paris como uma máquina mais desenvolvida para extração de café. Em 1901, o italiano Luigi Bezzera patenteou um equipamento rudimentar com tubos de vapor que chamou de “Gigante”, porém não teve sucesso de mercado. Desiludido, vendeu a patente de sua criação em 1905 para Desidero Pavoni, que implementou novas ideias e criou um novo modelo de máquina de café expresso chamado Ideale. Outras pessoas começaram a desenvolver novos formatos e a cultura do espresso se espalhou por toda a Itália.
Moagem: média/fina, tipo farinha de rosca.

Resultado final: Bebida bem encorpada com retrogosto de chocolate, baunilha e caramelo, e leve acidez cítrica.

Dica de preparo: 9 gramas por xícara.



É importante deixar claro que os resultados obtidos nessa avaliação são comparativos entre um mesmo tipo de café utilizado no preparo e na degustação. Tudo pode variar dependendo do tipo e da marca de café escolhido. Para cada tipo de extração, você poderá ter diferentes características do café. Não existe melhor ou pior, o resultado está diretamente ligado à sua escolha. Além disso, segundo Cleia Junqueira, para quem quiser um ótimo café é importante buscar três coisas: sempre que possível comprar cafés em grãos, verificar a data na embalagem para sempre comprar café novo e ter um bom moinho doméstico em casa para efetuar a moagem.




Fonte:
https://revistaadega.uol.com.br/artigo/cafe-de-formas-diferentes_9431.html
Fonte Imagem:
https://revistaadega.uol.com.br/artigo/cafe-de-formas-diferentes_9431.html


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