segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

OS TIPOS DE CAFÉ ITALIANO - COMO PEDIR UM CAFÉ NA ITÁLIA?



Primeiramente, você precisa saber que o café italiano é forte e que se você chegar em um balcão e pedir por um café, receberá exclusivamente um espresso.

Em segundo lugar, você precisa saber que o italiano se dedica muito à essa “miscella”. Para eles, essa paixão é um ritual e, além dos vários tipos de café italiano, existem diversos modos de prepará-lo.


EM QUAL TIPO DE XÍCARA PEDIR?


Pode parecer bobeira, mas nada para os italianos é um simples acaso. Além de vários tipos de café italiano, existe também em como você quer que ele seja servido.
Existem 3 possibilidades: tazzina, tazza) ou in vetro.

A tazzina (se diz “tatsina”, com uma pronúncia símile a pizza) é a nossa xícara pequena de porcelana (se você quiser uma quantidade maior, peça a de chá, que se chama tazza).
In vetro são as xícaras de vidro.


COMO PEDIR UM CAFÉ EM ITALIANO?


A forma mais gentil de pedir um café é: “Buongiorno, vorrei un __________, per favore!” Sendo que o espaço em branco você preenche com os tipos de cafés.

Se você pedir o café a tarde ou a noite, a frase seria: “Buonasera, vorrei un __________, per favore!“

Se a pronúncia do “vorrei” for muito difícil pode eliminá-lo e a frase continua sendo educada, principalmente seguida de um sorriso: “Buongiorno, un __________, per favore!”

E se eu quiser pedir também um corneto? A frase ficaria assim: “Buongiorno, un __________ e un cornetto, per favore!”


QUAIS SÃO OS TIPOS DE CAFÉ ITALIANO?


- Espresso ou apenas caffè: é o tipo de café normal em uma tazzina, no entanto, ele acaba sendo mais forte que alguns expressos servidos no Brasil. A quantidade não chega a encher a xícara.


- Caffè Doppio: São dois expressos fortes em uma xícara de chá (tazza).


- Caffè corto o Ristretto: Confesso que a internet não me ajudou a desvendar se ambos são sinônimos ou se um é mais forte que o outro. Alguns sites afirmam que ambos consistem em um café bem denso, com sabor forte, mas com menos cafeína. Outros garantem que o corto tem muito mais cafeína que o ristretto e este último seria apenas um expresso pela metade. Enfim, não sei qual seria o veredito (experts, ajudem-me, per favore), mas normalmente, para fazê-lo se usa a mesma quantidade de pó que o expresso, mas o barista deixa escorrer menos água.


- Caffè lungo:  A quantidade deste café é quase uma xícara inteira. Ao contrário do ristretto, a concentração de cafeína nele é bem maior. Se usa a mesma quantidade de pó, mas o barista fecha a água quente um pouco depois do tempo. Pode ser símile a alguns expressos feitos aqui no Brasil.


- Caffè Americano: é um café bem mais fraco. O barista deixa escorrer aproximadamente 60% a mais de água.


- Caffè Macchiato: é o café expresso “manchado” com pouco leite. Para este tipo, há outras variações: macchiato caldo (quente), macchiato freddo (frio), macchiato freddo con latte scremato (isto é, com leite desnatado).


- Latte Macchiato: o oposto do anterior: é uma xícara de leite “manchado” com um pouco de café expresso. E este tipo aceita todas as variações acima (caldo, freddo o con latte scremato).


- Cappuccino: também chamado de cappuccio, nada mais é que o café expresso com leite ao vapor. Existem variações: cappuccino secco, é o cappuccino normal, mas apenas com espuma ao vapor; cappuccino chiaro, quando tem pouco café; cappuccino scuro, quando tem mais café; cappuccino al vetro, deccaffeinato, con latte scremato, con cacao.


Atenção: o cappuccino normalmente se toma no café da manhã ou à tarde, mas para os italianos é uma heresia pedir após uma refeição!


- Mocaccino: é o cappuccino com uma pequena quantidade de chocolate quente.


- Caffè e Latte: o clássico café com leite. Você também pode pedir a variação fredda (fria).


- Caffé Corretto: é o café corrigido com algum super alcoólico, como a grappa italiana. Normalmente ele é pedido após uma refeição (peça este ao invés do cappuccino). As variações são: Irish Coffee: é alongado com whisky irlandês; Jamaican Coffee: alongado com rum;


E não acaba por aqui. Ainda existe o caffé freddo (frio), con ghiaccio (gelo); con panna (chantily); al ginseng, alla nocciola (avelã), schiumato (espumoso), shakerato (shake de caffè e açúcar); caffè d’orzo (isto è, cevada), caffè brasiliano (con chantily e chocolate em pò) e etc!





Cada um deles pode ser servido com:

* Caffè deccaffeinato: também chamado de Deca, é o nosso descafeinado. Pode ser feito com todos os cafés acima (viu que aumentaram ainda mais a quantidade de cafés?).


* Al Vetro: isto é, no copo de vidro (e para os italianos, isso conta com mais um tipo de café).


* Con la panna: isto é, com chantilly.



Buongiorno, vorrei un macchiato deccaffeinato caldo con latte scremato freddo in tazza, per favore!




Fonte:
https://www.turistando.in/tipos-de-cafe-italiano/
Fonte Imagem:
https://www.turistando.in/tipos-de-cafe-italiano/

O CAFÉ E A BIALETTI - UMA HISTÓRIA DE SABOR E TRADIÇÃO


O aroma incomparável dos grãos e o sabor inconfundível de uma xícara de café. Consumir a bebida milenar é um costume espalhado pelos cinco continentes. E na Itália não é diferente! A paixão que o país cultiva se soma ao know-how incrível e irresistível. Foi com essa tradição que nasceu a Bialetti, idealizadora de uma das melhores e mais vendidas cafeteiras. Hoje você descobre um pouco sobre a deliciosa história de sucesso dessa marca.


TRADIÇÃO ITALIANA

A especialização italiana no café começou por volta de 1570, quando os grãos chegaram ao país, que logo se tornou um verdadeiro expert no preparo e na degustação. Lá, a maneira de fazer a bebida foi aperfeiçoada e o cardápio ganhou a variedade de apresentações que tanto amamos como o espresso, ristreto, doppio, macchiato e cappuccino.

Toda essa dedicação e gosto fez com que os italianos se tornassem pioneiros na fabricação das máquinas de café. A partir daí, começaram a surgir cada vez mais empresas focadas na criação dos produtos, ampliando a fama da Itália ao redor do mundo inteiro.


A HISTÓRIA DE BIALETTI

Quando falamos sobre as típicas máquinas de café, não podemos deixar de pensar na Bialetti, que começou sua história em 1919, quando o italiano Afonso Bialetti transformou o preparo do café com uma cafeteira revolucionária. Em menos de 20 anos, a marca do “homenzinho de bigodes” se tornou internacionalmente reconhecida e, atualmente, traz uma rica linha de produtos líderes em vendas e design.




UM MARCO DO DESIGN

A famosa cafeteira se tornou um símbolo gourmet e segue sendo uma das mais procuradas pelos que gostam de apreciar um cheiroso, intenso e saboroso café. O que poucos sabem é que a criação da peça representa um contexto de mudança social, tecnológica e econômica durante os anos 30.

Naquela época, havia uma forte necessidade da Itália de entrar para a era moderna e produtos como os da Bialetti ajudaram a alavancar o desenvolvimento do design italiano, que pouco tempo depois se consagrou como uma forte referência no segmento para os outros países.





Fonte:
https://www.westwing.com.br/revista/inspiracao-decor/o-cafe-e-a-bialetti/
Fonte Imagem:
https://www.oguiademilao.com/cafeteira-italiana-tem-nome-e-sobrenome-moka-bialetti/
https://www.westwing.com.br/revista/inspiracao-decor/o-cafe-e-a-bialetti/

  

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

COTIDIANO: GRACIAS, MERCEDES, "QUE NOS HA DADO TANTO"


Por Paulo Vinícius

Duas das figuras que mais contribuíram para que eu me tornasse um internacionalista e pudesse me encontrar com a América Latina foram Mercedes Sosa e Pablo Neruda. Este pela prosa poética vertida em Confesso que Vivi, e aquela, "la negra", por tudo de arrebatador e pungente que há em seu repertório irretocável.




Como se hoje fora, recordo da saudade que senti de Neruda – estranha nostalgia de quem não se conheceu, lastreada em poesia. Tal sentimento se intensificou ao ouvir na voz de Mercedes Sosa os zambas, chacareras, os versos de justiça e amor, voando pelo espaço aninhados naquela voz vibrante, forte, inconfundível.
Foi assim, exposto a esta dupla influência que me vi repentinamente órfão da América Latina, lastimando-me por não a ter conhecido antes, inconformado e intrigado ante o paradoxo em que a proximidade geográfica não se faz amizade, conhecimento mútuo, identidade. E desde então isso mudou a maneira como me situava no mundo. Descobrira-me, malgrado tanto lixo que se nos empurra, enfim, latino-americano.
E o que Mercedes Sosa cantou me ensinou tanto! Meu portunhol bem ajambrado foi aprendido com ela, cantando e entendendo a rebeldia e o amor, a ânsia por justiça e a grandiosidade com que aquela tucumana afirmava nossa origem comum, nossa irmandade de história, povo e sonhos.
Ela dizia a simplesmente e dura realidade, que "a esta hora exatamente há uma criança na rua". Reinventou a geografia ao afirmar que "um verde Brasil beija meu Chile de cobre e mineral". Lembrou-nos em meio a tantas vicissitudes que "tudo muda e mudarmos não é estranho" ainda que "não mude meu amor por mais distante que eu esteja, nem a lembrança nem a dor do meu povo, da minha gente". Ademais, com os versos de Atahualpa Yupanqui, definiu para mim a amizade, ao mostrar-nos que temos "tantos irmãos que nem os podemos contar/, no bairro, na montanha/, no pampa e no mar/ cada qual com seu trabalho, com seus sonhos cada qual/ com a esperança adiante e as recordações lá de trás", "tenho tantos irmãos que nem os posso contar e uma irmã muito linda que se chama liberdade".
Versos assim se cravam no peito se os canta como ela cantava, ao clamar às massas empobrecidas, "irmão, dá-me a mão, venha comigo buscar esta coisa pequenina que se chama liberdade. Esta é a hora primeira e este é o justo lugar, em que com tua mão e a minha, irmão, havemos de começar. Olha adiante irmão, tua terra que te espera, sem distâncias nem fronteiras que a afastem de tua mão, sem distâncias nem fronteiras, nesta hora primeira em que o punho americano marque o rosto dos tiranos e a dor enfim vá embora".
Por tudo isto, quando ela veio a Brasília em 2008, senti que enfim chegava a oportunidade – que até desacreditava – de ouvi-la ao vivo, oportunidade que provavelmente fosse a última. E foi como um reencontro, essa sintonia tão estranha de fã, quando a ouvi erguer-se por cima da evidente fragilidade física pelas palavras de carinho e a voz inacreditável que venceu o tempo. E do meu lugar no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, depois de ir ao Chile, Cuba, Paraguai, Bolívia, Nicarágua e Venezuela, depois de ver os ventos de mudanças tão ansiados em seus versos se fazerem realidade, pude ouvi-la frente a frente, a dizer tão bem do Brasil, de nosso povo, cantando nossa música, aquela irmã argentina a declarar um amor tão sincero ao nosso país. Não foi em vão.
E agora que ela partiu, em paz consigo e com seus sonhos de uma intimorata e bela América Latina, não posso pranteá-la, apenas. Tenho na verdade é de lhes sugerir o único tributo verdadeiro para uma pessoa que dizia que "se cala o cantor, cala-se a vida, porque a vida, a vida mesma é toda um canto". Não podemos é permitir-nos não ouvi-la, pois assim permanece viva, tão necessária que é a iluminar os caminhos singulares em que a arte nos faz entender com uma profundidade total esta irmandade latino-americana, este amor aos oprimidos e o ódio às injustiças.
Conheçam Mercedes Sosa e partilhem do legado caudaloso de sua obra, das lições e do prazer de ouvi-la cantar, da poesia tão bem escolhida por uma intérprete que sabia o que dizer à mente e ao coração, uma irmã tucumana, argentina, latino-americana que, como a vida, pôde nos dar tanto.


Fonte: https://vermelho.org.br/coluna/gracias-mercedes-que-nos-ha-dado-tanto/
Fonte da Figura: https://www.youtube.com/watch?v=f59-ecN2FYg



CULT COFFEE: PEQUENA AMÉRICA (PABLO NERUDA)




Quando vejo a forma
da América no mapa,
amor, é a ti que eu vejo:
as alturas do cobre em tua cabeça,
os teus peitos, trigo e neve,
a tua cintura delgada,
velozes rios que palpitam, doces
colinas e prados
e no frio do sul teus pés completam
a sua geografia de ouro duplicado.
Amor, se te toco,
minhas mãos não percorrem
apenas as tuas delícias,
mas ramos e terras, frutos e água,
a primavera que eu amo,
a lua do deserto, o peito
das pombas selvagens,
a suavidade das pedras polidas
pelas águas do mar ou dos rios
e a vermelha espessura
dos matagais onde
a sede e a fome espreitam.
E assim a minha extensa pátria me recebe,
pequena América, em teu corpo.
Mais ainda: quando te vejo reclinada,
em tua pele eu vejo, em tua cor de aveia,
a nacionalidade do meu carinho.
Porque dos teus ombros
fita-me, inundado de escuro suor,
o cortador de cana
de Cuba abrasadora,
e através da tua garganta
pescadores que tiritam
nas húmidas casas do litoral
cantam-me o seu segredo.
E assim ao longo do teu corpo,
pequena América adorada,
as terras e os povos
interrompem meus beijos
e a tua beleza, então,
não só ateia o fogo
que entre nós arde sem cessar,
mas com teu amor me está chamando
e através da tua vida
me oferece a vida que me falta
e ao sabor do teu amor junta-se o barro,
o beijo da terra que me aguarda.

Pablo Neruda, in "Os Versos do Capitão"



Em defesa da Cultura Brasileira